Os super ricos não podem existir

É comum ouvir um argumento assim: “não tem problema ter gente super rica, ou muita desigualdade. O problema é ter muita pobreza.”

É um argumento furado.

Gente super rica tem influência política gigante. Consegue o que quer dos políticos. Advoga em causa própria. Conquista benefícios para encher cada vez mais os bolsos e pagar cada vez menos impostos, e o resto da população do país, do planeta, que dane-se.

Não segundo eu, segundo esquerdistas, ou perigosos radicais.

Segundo The Economist, a mais influente publicação econômica do mundo, a voz do mercado financeiro, de Wall Street e da City londrina.

A meta mais importante para um mundo mais justo e mais seguro para todos é impedir essa concentração de renda insana.

Não interessa se depois de bilionários dão dinheiro para caridade, ou não. 

Essa decisão não é, não pode ser deles.

Os benefícios da produtividade não pode ser meramente privado.

Nem o custo das externalidades, totalmente público.

É insano as empresas de petróleo gerarem lucro louco para seus acionistas, e o custo da poluição e da crise climática ficar para os governos, os contribuintes, nós. Vale para plástico, roupa, celular. Vale para qualquer segmento que você quiser.

Será que as empresas de petróleo seriam lucrativas, se tivessem que pagar pelo estrago que geram, em vez de transferir esse custo pra gente?

Será que a Apple seria a empresa mais valiosa do mundo, se tivesse que pagar pelo descarte seguro, não-poluente, dos celulares que vende?

E a empresa em que você trabalha?

A concentração de riqueza gera pobreza. 

E é imoral de outras maneiras.

Se precisamos de um exemplo desta semana sobre a imoralidade do super capital, está aí Elon Musk. O queridinho de muitas start-ups anunciou plano de se associar, na Tesla, ao fundo soberano da Arábia Saudita, a mais cruel e fechada teocracia do planeta, que mantém metade de sua população, as mulheres, sob regime de apartheid.

Ganhar dinheiro honestamente, tudo bem. Aproveitar a sua grana, tudo bem. 

Acumulação no nível atual, e transmissão de fortunas para seus herdeiros, nada feito.

Os super ricos não podem existir.  Estão estragando o mundo para o restante de nós.

É simples assim.

O artigo da Economist está aqui