O que Bolsonaro aprendeu com Trump (e o que os dois aprenderam com Steve Bannon)

“Devemos nos preparar, nos próximos quatro anos, para uma gestão no estilo Trump dos debates e discussões. Bolsonaro e sua equipe fazendo declarações estapafúrdias na imprensa e nas redes sociais no primeiro plano, e passando medidas e reformas duríssimas e gravíssimas no segundo plano.
O objetivo será de que reajamos ao que for dito no primeiro plano, causando uma guerra de debates e mensagens entre apoiadores e críticos, diminuindo, assim, o foco de atenção e energia disponível para fiscalizar e criticar o que se fizer no segundo plano.
Ele vai fazer revisionismo histórico, criar versões alternativas dos fatos, acusar a imprensa de persegui-lo e distorcer a verdade, obrigar quem o apoia a entrar cada vez mais na bolha de realidade alternativa que a acumulação das inverdades for criando e obrigar quem o critica a ir se acostumando com (e normalizando) a mentira, o absurdo, o factóide, a declaração incendiária e a irresponsabilidade na comunicação cotidiana e diplomática.
Não podemos perder tempo reagindo e desmentindo todo e qualquer absurdo que ele falar. Temos que atentar para as decisões, as propostas, as nomeações, os projetos encaminhados etc.
Atravessar a cortina de fumaça do primeiro plano (por mais provocativa que ela seja) e discutir o ponto realmente crucial do segundo plano.
Quem quiser saber mais a respeito procure por uma estratégia de publicidade e gestão chamada “firehosing”: bombardear a atenção pública com um número tão grande de factóides absurdos e atraentes de serem discutidos para assim manipular o senso de realidade e distrair o foco de concentração em relação ao principal.”
 
Aviso do André Coelho, professor da UFRJ…