O mais importante agora

Na última temporada, meti a mão na merda. É hora de lavar as mãos. E desinfetá-las.

Desde a crise que levou ao impeachment, investi muito do meu tempo e energia prestando atenção em política, debatendo política, escrevendo sobre política. Estes últimos meses, sem parar. Votei, depois de décadas sem votar; declarei meu voto; fiz campanha.

Por quê? Porque julguei que era minha obrigação.

Pra quê? Pra maioria dos eleitores eleger Bolsonaro.

Há os bolsonaristas, os extremistas, os bárbaros, a seita. Minoria perigosa, mas minoria. Quero acreditar que a maioria não é bolsonarista. Simplesmente votou em Bolsonaro por estar mal informada. Outros votaram porque acharam que era o mal menor. E outros tantos anularam.

Há razões de sobra para toda esta gente ter votado errado. Há análises de sobra sobre os porquês. Não vou te entediar com mais uma. Só o tempo mostrará a estes brasileiros a dimensão do erro que cometeram. Não a razão. Nem eu.

Há muito o que fazer. Outras pessoas farão o que julgarem suas responsabilidades.

Eu simplifiquei as minhas. Tempos pesados exigem leveza. E atenção ao que é mais importante, o que é mais importante agora.

Minha premissa é que o governo de Jair Bolsonaro é ilegítimo, como o de Temer, como os da ditadura militar. Teve um monte de sujeira nesta eleição, e nos anos que a antecederam, que prepararam a ascensão dessa gente. Com o tempo, quem sabe virá à tona. 

Bolsonaro pode ter o poder, mas jamais terá legitimidade. Ele não, ele nunca.

Não comento o dia-a-dia deste governo. Se houverem acertos, de mim não receberão aplausos.

Não dialogo com bolsonaristas. Estamos em lados opostos.

Não debato nas redes sociais, esforço quase sempre estéril.

Também não vou ficar nessa indignação interminável com a barbaridade do dia. 

E não vou pra rua, não mobilizo nem organizo. Boa sorte e minha torcida para quem assumir essas buchas. 

Uma parte importante da minha resistência a esses idiotas é negar-lhes meu tempo. Lidar todo dia com gente burra e estúpida emburrece e embrutece. Chega de tanta imundície.

O que farei?

Pouco. E como é pouco, pretendo fazer com esmero.

Vou escrever sobre o que me inspira, para quem quiser ler. Excusivamente no meu blog. E não nas redes sociais. Quer me ler, é no blog. Vou publicar ensaios enormes e bilhetinhos, recomendações, reflexões, textos inéditos e textos antigos. 

Vou conversar exclusivamente com gente esperta e desperta. Espero estimular o espírito crítico e o pensamento livre. Apresentar a você grande arte e pequenos prazeres. Provocar menos, e refletir mais. Algumas tretas hei de arrumar, porque o sangue às vezes sobe, e é preciso botar a bile pra fora. 

Escreverei sempre com um olho no leitor jovem. Na geração do meu filho, que vai ter que lidar com este Brasil de merda que estamos deixando para eles. Se você conhece jovens que possam se interessar por algum texto meu, agradeço se compartilhar.

Escrever é sempre um prazer. Ensinar, o novo desafio. Dei meu primeiro curso em 2018. Foi sobre inovação no mercado editorial. Gostei muito.

Preparo o segundo curso, com o que aprendi nestes 25 anos de empresário independente. Quem sabe meus poucos acertos e muitos erros sejam úteis para quem quer ser dono do próprio nariz. Também andei compartilhando minha experiência com empreendedores, tanto jovens como experientes. Há quem ache útil uma consultoria do veterano aqui, veja só. Tem sido educativo pra mim.

Vou continuar ensinando. Uma hora, aprendo.

Uma coisa que já sei é que tempo é nosso bem mais precioso e escasso. É preciso usar com muita sabedoria. A coisa mais importante agora, e sempre, é pensar com carinho e cuidado: como você vai usar o seu tempo, sua paixão, sua vida?  

Vou investir meu tempo em coisa boa, e gente boa, gente que tem coração, cabeça, futuro. Vou investir no que eu acredito: na inteligência. 

Dias piores virão. São os dias que temos. Vamos vivê-los com compaixão e coragem. E com alegria – sempre a prova dos nove.