Patrick Swayze: nada é dourado pra sempre
Patrick Swayze era um texano de 57 anos, ex-alcoólatra, bailarino clássico, patinador no gelo, ginasta, ator e cantor. Ele estava com a mesma mulher desde 1970 e gostava de pilotar aviões e criar cavalos árabes. Morreu ontem de câncer de pâncreas, um adeus dolorido.
Patrick será sempre lembrado por seus rodopios em Dirty Dancing e pelo fantasma apaixonado em Ghost. Mas não por mim.
Eu vou lembrar de Patrick Swayze de cabelo oxigenado como o surfista assaltante de Point Break, se entregando à onda perfeita. Como Jed, líder dos Wolverines, a tropa de adolescentes que dá trabalho para os invasores soviéticos em Red Dawn.
E inevitavelmente como Darrel, irmão de Ponyboy e Soda, o irmão mais velho que todo garoto queria ter.
Ponyboy era C. Thomas Howell. Soda era Rob Lowe. Eles faziam parte de uma gangue de moleques duros e durões em Tulsa, Oklahoma, no início dos anos 60. Da turma também faziam parte Two-Bit (Emilio Estevez), Johnny (Ralph Macchio), Dallas (Matt Dillon) e Steve (Tom Cruise).
Eles eram, são, The Outsiders, o lado colorido de um épico teen filmado em 1983 por Francis Ford Coppola. O lado B, Rumblefish, veio logo depois e colocou mais dois garotos sob o holofote: Nicolas Cage e Mickey Rourke.
Eu tinha dezoito anos quando estes filmes apareceram no Brasil, sob os nomes Vidas Sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta. Eram herdeiros mais que dignos de Esplendor na Relva, Buster e Billie e tantos outros dramas hormonais favoritos das sessões coruja da minha adolescência.
Mas esses caras eram da minha idade. Eram da minha geração ou pareciam ser. Isso fez toda diferença.
Se você assistir agora pela primeira vez e achar que a história é coisa de adolescente, saiba que é mesmo. O filme foi baseado em um livro escrito por Susan Hinton quando ela tinha catorze anos e publicado quando ela tinha dezesseis.
Eu queria que todas as pessoas de dezesseis anos do mundo assistissem esses dois filmes.
Vi e revi The Outsiders e Rumblefish muitas vezes. Os dois filmes nunca foram unanimidade nem fizeram grande sucesso, mas foram muito falados e cultuados na época. Depois cresci e esqueci deles. Não assisto faz mais de vinte anos. Mas se Darrel morreu, está na hora de voltar a reencontrar a velha gangue.
Na época, Ponyboy não entendia seu poema predileto, Nothing Gold Can Stay, de Robert Frost. Nem eu.
Hoje estou mais perto.
Nothing Gold Can Stay
Por Robert Frost
Nature’s first green is gold
Her hardest hue to hold
Her early leaf’s a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay.












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Alvaro | September 15, 2009 @ 10:44 am
Galera chupa rola do cara apenas pelas cenas de amor. A verdade interior dele é outra.
Ele é bem mais alternatvo que Ghost.
Pior eh que em breve, piadinhas de Patrick S. em forma de fantasma irão aparecer.
Curtia o cara!
silva | September 15, 2009 @ 11:17 am
“Eu vou lembrar…Jed, líder dos Wolverines, a tropa de adolescentes que dá trabalho para os invasores soviéticos em Red Dawn.”
Pô grandes lembranças. Red Dawn virou Amanhecer Violento e os Wolverines, Lobinhos.
Auge da guerra fria, anos 80, o primeiro video cassete do meu tio chegando do Paraguai. Sessão cinemão para toda família reunida na sala, deslumbrada com a novidade. No outro dia, a premissa do filme era encenada na brincadeira com os Comandos em Ação.
Tempos dourados.
Nothing gold can stay, e a sensibilidade em
receber a noticia de que alguém morreu após travar luta contra o câncer é despertada.
Quem não passou pelo tratamento com certeza tem um amigo ou familiar que enfretou o drama.
É dureza.
Patrick Swayze, RIP.
João Thiago | September 15, 2009 @ 11:25 am
Este vai fazer muita falta mesmo. Lembro de Vidas sem Rumo. Pensem no que este filme ia custar para ser feito hoje. Hoje eu o vejo mais como Cult do que Pop. Saudades da infância que a gente teve.
Ah, concordo com o André quando diz que todo mundo de 16 anos tinha que assistir a estes filmes, mas a Hanna Montana e igh School Music ainda emburrecem demais a molecada.
Márcio | September 15, 2009 @ 11:40 am
O melhor presente que ganhei em 2009: uma camiseta com “Stay gold, Ponyboy”.
Ivo Heinz | September 15, 2009 @ 11:56 am
Red Dawn, bem lembrado.
Saiu por aqui, acho que ano retrasado, em DVD; comprei e revi.
Muito bom o seu foco, tem filmes / músicas / situações que funcionam bem numa idade, é preciso ter timing.
Aliás, me lembrei que comprei faz tempo o 1o. ano do seriado “Fame”, que passava na Manchete em 1984 como “Fama”, eu tinha 17 anos e, no outro dia, todo mundo comentava.
Preciso arrumar tempo entre o trabalho / aula / família pra começar a rever isso, hehehehehe.
antonico | September 15, 2009 @ 12:54 pm
Concordo com tudo o que foi dito, mas não tem jeito: é o cara do Ghost porra !
paulo silveira | September 15, 2009 @ 2:20 pm
Eita asilo do rock.
“Vidas Sem Rumo” me causou problemas numas ferias no interior,umas k7 de rockabilly cavadas com uns figuras mais velhos de role a 50 por hora de jipe wyllis azulao no meio da poeira vermelha tirando onda de malaco encostado na parada da ferrovia desativada
estragado de pinga com refrigarante,um babaca feliz.
Will | September 15, 2009 @ 2:31 pm
Rumble Fisch é um filme bacana, mas é um filme sério, sem muita margem para espinafrar. Já Road House é uma tranqueira irresistível!
Will | September 15, 2009 @ 2:36 pm
Ops, Fish.
Claudio Roberto Basilio | September 15, 2009 @ 4:29 pm
Certeiras as suas observações, Forastieri, mas eu preciso fazer uma ligeira observação: Amanhecer Violento até que é divertido pacas, mas, poxa vida… Se a gente prestar bem atenção é um dos filmes mais reaça já produzidos em Hollywood, um dos mais autênticos e perfeitos retratos da Era Reagan! Basicamente a moral da história é de que a boa e velha juventude capitalista-consumista-americana é superior aos comunas-vermelhos-socialistas-sem-vergonhas e pode dar um pau neles a qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer circunstância! Dito, isso prefiro me lembrar do Swayze como Jed… Ou então até mesmo como o professor rebolador de Dirty Dancing ou o fantasminha camarada de Ghost…
silva | September 15, 2009 @ 6:07 pm
Basilio, sem duvida, é um dos filmes mas reaças da histróia - ou perde para Rock IV?-
Claro que hj deve estar datadissimo, mas para uma criança nos anos 80 foi, como vc disse “…divertido pacas”
Assim como era acompanhar o desejo de matar do Chales Bronson.
Milena Azevedo | September 15, 2009 @ 6:16 pm
Caramba, Forastieri, você foi resgatar dois filmes maravilhosos sobre a adolescência, e um deles (O Selvagem da Motocicleta), eu só consegui assistir já adulta e virou um dos meus “filmes de estimação”, tanto que fui atrás do livro da Susan E. Hitton.
Para mim, Patrick Swayze será sempre um cara que procurou ir além do rótulo de “garoto bonito e bom dançarino” e buscou acertar no cinema. Ao contrário do poema do Robert Frost, ele será sempre um “golden guy” aos meus olhos.
Cassiano | September 15, 2009 @ 7:05 pm
Asilo do rock é foda!!!! Mas é realmente chocante quando vc conhece alguém cuja imagem esteve sempre associada à sua memória afetiva juvenil e fica sabendo totalmente de surpresa que a pessoa morreu. Fora o fato de que era muito jovem ainda, 57 anos. Não me lembrava dele em Vidas sem Rumo, filme que vi porque o colégio Brasílio Machado resolveu passar um filme de adolescentes para os alunos e esse foi o escolhido, olha só. Foi em 1988, eu com 14 anos só pensava em cabular aula. Pediram para os alunos escolherem outro filme cujo tema fosse o mesmo. Escolheram Porky’s.
Carla | September 17, 2009 @ 5:58 pm
Nem lembrava que ele estava nesse filme… Será que lançaram Outsiders e Rumble Fish em DVD? Eu adoraria ter esses filmes que também marcaram a minha adolescência.
Daniel | September 18, 2009 @ 1:13 pm
Point Break é um puta filme de ação. E, puxando pro pop, ainda conta com pontas dos Chilli Peppers.
Aqui saiu com o criativo nome “Caçadores de Emoção”.
Rafael Arbulu | September 23, 2009 @ 8:23 pm
Será que só eu lembro do “Matador de Aluguel”, onde ele fazia o leão-de-chácara Dalton, descia a porrada em todo mundo em um dos filmes mais mal filmados, toscos, feios do mundo, mas ainda assim sensacionalmente bom?
Era um filme bem pouco famoso, se não me engano. A maioria do público detestou: me lembro que, nos meus 6,7 aninhos (hoje tenho 23), assistia o VHS umas três ou quatro vezes por dia. Achava o máximo!