Eu quero ser o publicitário do Lula
Você sabe quanto o governo federal gastou na última temporada com publicidade? R$ 1,56 bilhões.
O levantamento inédito do Meio & Mensagem soma contas da administração direta e indireta, incluindo 44 licitações concluídas desde 2004. Surpresa: 82% da grana fica concentrado em quinze empresas.
As cinco primeiras são Artplan, Master, Propeg, Quê e NovaS/B. Que não são tão conhecidas do público em geral. Outras conhecidas, tipo DM9, DPZ, Giovanni, McCann etc. estão na lista, mas pegaram só umas rebarbinhas de verba. E algumas agências famosas têm, como princípio, não atender contas públicas, como a W/, AlmapBBDO, Neogama/BBH e Talent.
Achei que você gostaria de ter essas informações.
Agora, quanto eu acho que deveria ser a verba de publicidade do governo federal: zero reais.
Vale para governos estaduais e municipais também.
Rádio e TV são concessões públicas. Não há razão para pagar anúncio.
Revistas e jornais já são beneficiados por isenções de impostos, pelas suas características “culturais”, da mesma maneira que os livros. Igualmente não há razão para pagar anúncio.
Outdoor? Com tanta via pública e beira de estrada pertencente ao governo?
E na internet, bem, nem precisa falar.
Tem um pequeno problema nesse meu plano. Que é: cortando essa verba toda de publicidade governamental, muitas empresas de comunicação vão sofrer. Quiçá quebrar. Por isso, meu projeto causará grande desemprego não só no meio publicitário, mas entre os jornalistas também. Peço perdão aos colegas, mas alguém tem que pagar o pato.
Uns meses atrás, meus velhos colegas de Folha, os Fernandos Rodrigues e Barros e Silva, deram uma bela cutucada no governo federal e popularizaram o termo “bolsa-mídia”. A reportagem de Fernando Rodrigues explicava como o governo “adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%.”
Eu por princípio acho pulverizar sensacional. Porque os grandes veículos já são fortes demais. E porque estão todos do mesmo lado defendendo as mesmas coisas com o mesmo discurso. Tem que dar grana para quem não tem e para quem está falando coisas diferentes. Diversidade é riqueza.
Meus camaradas acharam ruim e têm boas razões. A principal: muitos desses veículos menores são de propriedade de, adivinha, deputados, prefeitos etc.
Essa pulverização da verba é uma maneira de enfraquecer os grandes grupos de comunicação? Sem dúvida. De influenciar politicamente? Sem dúvida. É ilegal? Não. É imoral? Você decide.
Mas você há de concordar que nunca foi do interesse de Lula ou do PT que a opinião pública nacional permanecesse tão dependente da Globo, Folha, Estadão e Abril. São empresas que jamais esconderam suas simpatias e antipatias. Não é burro, nosso presidente.
Eu não sou publicitário, mas me disponho a fazer o serviço na faixa. Coisa que publicitário nenhum faria. Só jornalista para ter uma idéia dessas: trabalhar de graça.
Minha condição é que o dinheiro que iria para publicidade vá para uma coisa útil. Tipo, sei lá, torrar em sorvete para a criançada. Ou botar esgoto e água limpa nas cidades de maior índice de mortalidade infantil do país. Algo que pareça necessário ou pelo menos divertido. Duas coisas que os anúncios dos governos nunca são.
Você tem um bom destino para essa grana toda? Me mande sua sugestão. A melhor ganha um livro da minha biblioteca. Escolho um hoje e conto qual é amanhã. Que tal?
Veja, para mim não é nenhuma alegria me candidatar ao cargo de publicitário-mor do governo. Eu nunca quis trabalhar para qualquer governo. Muito menos trabalhar falando bem de político.
Hay gobierno, soy contra. É da minha natureza: sou otimista mas espírito de porco. Se o diabo pisca um olho e a Marina Silva se elege, vou baixar o sarrafo nela também. E começo cutucando já: quando expulsarás o Zequinha Sarney do PV, darling? Dize-me com quem andas e te direi quem és.
Mas enfim, tamos aí. Se for para dar destino mais nobre para esses bilhões todos, fico feliz de fazer a minha parte. Lula, eu quero ser o seu publicitário!












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PF | September 1, 2009 @ 3:31 pm
Como essa grana nao esta sobrando mesmo, deixar de gastar jah eh lucro. Se eh pra distribuir, manda pra minha conta.
silva | September 1, 2009 @ 3:39 pm
Sugestão: investiria tudo na Política Nacional de Planejamento Familiar, lançada em 2007, pelo Goverrno Federal, e que ninguem ouviu falar.
Uma das medidas foi a portaria publicada no Diário Oficial, dia 06/06/2007.
“Ministério da Saúde estabelece orientações para a realização de vasectomia e a sua inclusão na Política Nacional de Cirurgias Eletivas, instituída em 2004 para identificar e reduzir ao máximo, até eliminar, as filas de espera para alguns procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A portaria traz as condições em que é permitida a realização gratuita da vasectomia pelo SUS. Só podem fazer a cirurgia, por exemplo, homens maiores de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico.
É preciso também que conste do prontuário médico um documento, assinado pelo paciente, com os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldade de reversão e opções de outros métodos contraceptivos.”
Com o dinheiro na mão também mudaria a lei. Liberaria a cirugia para todas as idades,independente de já ter filhos ou não.
silva | September 1, 2009 @ 3:44 pm
e complementaria meu plano com a politica da distribuição de piluas para as mulheres de baixa renda.
off topic
André, gostaria de saber sua opinião a respeito da notica do dia: “Disney compra Marvel por 4 bilhões de dólares”
Anonimo | September 1, 2009 @ 3:55 pm
No link está rebatendo alguns pontos …
http://www.joildo.net/artigos/pig-esperneia-por-mais-verba-de-publicidade-oficial/
Gregório | September 1, 2009 @ 5:42 pm
Uma idéia que sempre tive é de criar um plano ou bolsa para beneficiar os jovens estudantes após a conclusão do ensino médio. Algo como uma ajuda para o jovem sair de casa e viver a sua vida. Um estimulo a independência. Mas tem que estar estudando e precisa comprovar que esse dinheiro vai ser usado para arranjar um lugar para morar ou, sei lá, ir estudar no exterior.
Claro que ninguém vai conseguir viver só com essa verbinha do governo. Mas já é uma ajuda.
Resumindo, um “Bolsa-Saia-de-Casa-e-Seja-Mais-Independente-Dos-Seus-Pais”. Afinal, temos que tornar as pessoas mais independentes. E aproveitar a sanha por “Bolsas-Isso” e “Bolsas-Aquilo” do governo.
Óbvio que a minha idéia precisa de uns 1000 retoques… Mas nunca vi ninguém com uma idéia assim.
E aí? Ganhei o livro?
paulo silveira | September 1, 2009 @ 5:59 pm
Um museu de historia natural com uma ala so para o pmdb.
Glaidson Medeiros | September 1, 2009 @ 6:57 pm
Simples: educação integral para as camadas mais pobres. Acompanhado de cursos fodas de qualificação na área tecnológica.
Mas isso não vende o peixe do governo, né?
antonico | September 1, 2009 @ 9:01 pm
Por falar em publicidade quando é que sai as memórias do Duda Mendonça ?
alemão uc | September 1, 2009 @ 9:23 pm
“Só jornalista para ter uma idéia dessas: trabalhar de graça.”
concordo com boa parte do seu texto, mas as agências vivem trabalhando de graça quando um cliente resolve abrir “concorrência” para encontrar uma “nova agência”. e isso acontece principalmente por causa de grandes clientes (como o governo).
Rafael Mateus | September 1, 2009 @ 9:38 pm
Começar uma política decente de informatização nas escolas públicas seria um bom destino pra esse dinheiro… abraço
Orlando Ortiz | September 2, 2009 @ 7:36 am
Na Finlândia (e provavelmente outros países), os estudantes são pagos pelo governo. Como se fosse um salário-estudo, para garantir que o moleque complete o curso no prazo estipulado e ainda tenha dinheiro para mudar de cidade, caso more longe da universidade. Parece ufanista, mas levando em consideração que o país todo tem pouco mais de 5,3 milhões de habitantes (comparativamente, o estado de São Paulo tinha em meados de 2003 cerca de 5 milhões de CRIANÇAS, veja só) e a renda per capita é bem dividida, o sistema funciona.
Mas isso não é culpa apenas do tamanho do país, do euro, do dinheiro bem empregado. Malandro se encontra em qualquer lugar, mas o povo lá não é aproveitador como aqui.
Imagine só converter a verba publicitária brasileira em um programa de incentivo de ensino. Sem sombra de dúvida, haveria uma enorme parcela de “pseudo-estudantes” entrando na faculdade / curso / whatever apenas para ganhar um din din mensal, nem que fosse por curto período. É uma triste verdade.
Como falta incentivo fiscal para um monte de coisas legais aqui, acredito fortemente que o valor poderia, em parte, ser empregado no turismo. Incentivar o mercado local. Reformar o Planetário, dar uma “geral” na Estação Ciência, na Lapa, construir um museu de cera nacional, com celebridades e grandes nomes que fizeram a nossa cultura e literatura. Isso sim é legal. Assim os brasileiros deixam de ser tão encantados com o mundo norte-americano, e aprendem a apreciar um pouco mais o que temos por aqui. Será que funciona?
Off-topic, gostaria muito de ler algo sobre um fictício museu de cera nacional, regado pelo humor Forastiano.
Amalio Damas | September 2, 2009 @ 9:13 am
Essa é fácil, não existe outra alternativa a não ser investir na educação. Hoje mesmo deu no SBT que em Monte Azul de Minas, um pau-de-arara transporta os alunos e em Salvador é feito um sistema de revezamento entre alunos do Fundamental II porque a escola não tem energia elétrica. Mas não precisa ser aquela educação que você odeia e eu acho antiquada, poderia ser aquela educação modelo que implantam em apenas uma escola da cidade para inglês ver e deixam o resto ao Deus dará, quando deixam. O geverno deveria pelo menos insistir para que todos leiam e saibam as quatro operações, isso é o mínimo e melhor que a renda mínima. Ensinar para as crianças que cultura é sinônimo de liberdade. Difícil vai ser convencer os coronéis do interior do Brasil a soltar as rédeas. Só a educação e o Control-S salvam!
Marcelo Almeida | September 2, 2009 @ 9:37 am
Concordo e assino embaixo.
Verba publicitária é DESPERDÍCIO de dinheiro público.
Se eu fosse o governo, juntava um pouco mais de grana a essa quantia (1,56 bilhões). Criava um “BNDES mirim” para financiar uma certa faixa da população junto a um programa que ensinasse na PRÁTICA como o brasileiro comum (aquele que pega ônibus, trem, metrô) poderia ser ser mais empreendedor. Se de cada dez tentativas, duas dessem certo, os lucros já seriam enormes para o país no campo econômico, social e de previdência.
Se as empresas privadas podem receber grana adoidado do BNDES, porque raios o cidadão comum tem que se contentar com empréstimos de banco com juros altíssimos?
paulo silveira | September 2, 2009 @ 10:32 am
Vou de off topic tambem.Paciencia.
Sambaqui alem de nome de banda cover de pagode drink e restaurante pousada eh um tipo de sitio arqueologico litoraneo e fluvial.
Entre Iguape e o litoral uruguaio foram encontradas cerca de 250 esculturas em pedra algumas mais toscas outras de alto nivel,dispersas entre varios museus e coleçoes algumas foram reunidas para a bienal brasil 500.
Duas das melhores nao estavam la um lobo marinho que insiste em submergir nos meandros do iphan e um tubarao que esta no acervo da unisinos talvez,parece que servia para segurar porta.
Em Rio Claro sp foi recolhida uma bela e numerosa coleçao de ferramentas de pedra pelo geologo responsavel do campus estadual que funciona ali,depois de idas e vindas tambem foi pulverizada virando brinco de gatinha decoraçao de republica e espolio de professor mala.
Araraquar sp tem um tipico museu municipal desses que juntam capacete da revoluçao couro de sucuri tacho de melado e urnas funerarias tupi tem uns batalhadores la que estao articulando um centro regional de arqueologia a piada eh que alguns anos atras a herdeira de notoria familia de industriais da regiao foi chamada para o cargo de secretaria da cultura e queria jogar fora aquela “tranqueirada” toda para expor fotos e objetos de sua epopeia familiar.
Show de bola.
Leon Santiago | September 2, 2009 @ 1:10 pm
Se publicidade fosse besteira, empresas não fariam. O governo pode se dar ao luxo de jogar dinheiro no lixo, uma corporação que tem acionistas participativos e resultados a mostrar não. A governo faz porque é preciso, assim como as empresas fazem porque é preciso.
Hay governo soy contra, mas defende o uso da rede de mídia privada indiscrinadamente. Pode usar o que quiser porque é concessão pública? Isso sendo contra governos?
Qual é o sentido disso?
silva | September 2, 2009 @ 4:41 pm
Orlando, em Minas existe o programa Programa Bolsa Familiar para Educação (Bolsa Escola),é claro que é inferior ao programa da Finlândia, mas já é um passo.
Existe desde 2000, atende famílias de baixa renda, com filhos entre 7 a 14 anos matriculados em escolas da rede pública, residentes no Vale do Jequitinhona, a região mais pobre de MG.
As famílias beneficiadas recebem R$ 70,00 por mês, desde que mantenham os filhos na escola com freqüência mínima de 90% das aulas.
Marinho | September 2, 2009 @ 6:03 pm
André, você se esqueceu de perguntar pros seus amigos da Folha o que eles acham dos gastos do governador José Serra com publicidade da Sabesp distribuída em quase todos os estados brasileiros, de norte a sul. Pergunte também porque eles não levantam quanto o mesmo governador não gasta assinando revistas da editora Abril, sem qualquer licitação e sem consulta aos professores, para serem distribuídas nas casas dos próprios professores. Se você não quiser perguntar pra eles, pergunte pra galera de Heliópolis, ou Paraisópolis ou, se preferir, da USP…
Fabiano | September 2, 2009 @ 7:01 pm
Caramba! Estava lendo os comentários e vi tanta coisa reacionária que fiquei assustado e ao mesmo tempo achei estranho esse pessoal estar lendo o seu Blog o qual faz eu me achar conservador quando leio.
Estava pensando, seguindo a linha Forastieriana de pensamento, na qual tenho concordado em alguns pontos, e fazendo uma conta simples:
1 PS3 por R$600,00 (em quantidade e sem impostos seria no máximo isso)
Com a verba compraríamos 2,6 milhões de PS3.
As crianças aprenderiam mais se tivesse aulas com games. Aumentaria o interesse dos alunos nas aulas introdutórias que envolveriam matemática, física, química, história e idiomas. Não precisa ser um game educativo chato, pode ser um game normal. Os professores teriam que se adaptar, eu sei, mas isso já é necessário, com game ou não.
Cassiano | September 2, 2009 @ 9:27 pm
Depois de ler o post e os comentários, me lembrei da “ajuda” prometida à Globo pelo BNDES ainda no governo FHC,sob o argumento de que se tratava de uma empresa estratégica. Até onde eu sei, o PT concordava em dar dinheiro à Globo e só mudou de idéia depois das denúncias do mensalão. Se for para gastar dinheiro público assim, prefiro até o trem-bala Rio-São Paulo.
Bruno Ribeiro | September 4, 2009 @ 10:52 am
A idéia do video-game é boa, e com sua adoração e profecia [já meio concluída é fato] deles serem a úncia mídia que interessa, creio que vai ser a campeão. Mas eu não ahco que games ensinem de tudo, na real a única coisa que eles ensinaram pra mim foi inglês. O que talvez [com certeza, isso sim] confirme que comprar um monte de video games seja mesmo a melhor idéia.
É isso, nem vou tentar dizer nada, dá logo um livro pro cara aí.
forastieri | September 8, 2009 @ 7:11 pm
Fico tentado a gastar a grana com PS3 pra molecada, mas vou na do Glaidson: educação integral na escola pública e cursos excelentes de qualificação na área tecnológica.
Glaidson, ganhou um livro duca: Retalhos, do Craig Thompson. Manda o endereço no meu email aí, meu chapa!
Abs
Forasta
Vini Gorgulho | September 8, 2009 @ 8:22 pm
Adoraria ver essa grana investida num programa de educação antialienação para jovens. Já pensou que lindo ensinar a molecada toda a fazer leitura crítica de telejornais, revistas, jornais, novelas, reality shows, blogs, videogames, programas de auditório, propagandas e o diabo a quatro?