I Love LA

Los Angeles é trabalho para mim. Estive uma fez for fun em 1992, sete vezes depois a trabalho, sempre para a E3, Electronic Entertainment Expo, a maior feira de games do mundo. Depois de três anos longe, lá me vou de novo.

Tenho muito o que fazer antes de viajar. A coisa mais importante é agradecer todo mundo que respondeu ao meu post “Quer Trabalhar?”. Encontrei novos amigos, novos colaboradores, novos blogueiros e até o novo editor do Herói. Valeu, rapaziada (e meninas!). Agradeço também os amigos que comentaram o post sobre Nerds. Pô, até o Spacca! Faz quantos anos que não nos vemos, cara? Só ganhou de você a Hélina, minha amiga de quarto ano primário, que apareceu por aqui outro dia.

Lá me vou, dizia, para uma maratona sem fim, um bombardeio de imagens e som altíssimo e entrevistas e reuniões e brodagem e um anda que anda que não se acaba mais. É café, almoço (um dog no Convention Center), happy hour, janta e sonhos embaladdos por games.

Agora, pior. Porque agora a cobertura é não só online, mas inclui vídeo, twitter, liveblog e sabe-se lá mais o que vão inventar nos próximos três dias até a abertura da E3. Vamos usar de tudo. Vou estrear no Twitter - se tudo der certo, direto na Conferência da Sony, que vou cobrir. Isso não vai dar certo.

Mas é muito divertido também. Porque games são divertidos. Porque a califa é surreal. Porque desta vez vou com dois que nunca foram para a E3 nem pra LA e estão a finzão. Porque sempre lembro tantos outros caras que estiveram na E3 comigo - Júnior, Pablo, Barbão, Fabão, Faure, Trivela, Viliegas e a lista vai embora. Porque reencontro velhos amigos e lembro de velhas aventuras. Nos vemos lá, guys.

Porque me sinto em casa lá. Ainda mais em Hollywood. Já fiquei em hotel muito bom e bem ruinzinho. Decidi que qualquer hotel perto do metrô, tá valendo, contanto que entre o Chinese Theather e a Strip, onde me sinto no coração do rock’n'roll.

Pena que é tanto trampo e tão pouco tempo para relax, aliás nenhum. Mas roubamos um minutinho aqui, outro ali. Vai somando.

A partir deste sábado Orlando Ortiz, Isac Guedes e eu estamos ao vivo cobrindo a E3, direto de Los Angeles, durante toda a semana. E portanto, não vou estar escrevendo no meu blog pessoal. Mas você pode saber o que está acontecendo no mundo dos videogames - e porque não, do cinema e do rock e das doidices angelenas - no nosso novo site EGW.

Te vejo lá.

And now, Randy Newman:

 

Hate New York City

It’s cold and it’s damp

And all the people dressed like monkeys

Let’s leave Chicago to the Eskimos

That town’s a little bit too rugged

For you and me you bad girl

 

Rollin’ down the Imperial Highway

With a big nasty redhead at my side

Santa Ana winds blowin’ hot from the north

And we was born to ride

 

Roll down the window put down the top

Crank up the Beach Boys baby

Don’t let the music stop

We’re gonna ride it till we just can’t ride it no more

 

>From the South Bay to the Valley

>From the West Side to the East Side

Everybody’s very happy

‘Cause the sun is shining all the time

Looks like another perfect day

 

I love L.A. (We love it)

I love L.A. (We love it)

 

Look at that mountain

Look at those trees

Look at that bum over there, man

He’s down on his knees

Look at these women

There ain’t nothin’ like ‘em nowhere

 

Century Boulevard (We love it)

Victory Boulevard (We love it)

Santa Monica Boulevard (We love it)

Sixth Street (We love it, we love it)

 

I love L.A.

I love L.A.

 

WE LOVE IT

Os lutadores

Herói não é quem bate, herói é quem aguenta apanhar. No ringue, no palco, na vida. Cabe só a você escolher o ponto final de tanta surra.

Esse é o ponto de O Lutador, o filme, que finalmente vi. É o trabalho mais previsível - e tocante - do imprevisível Darren Aronofsky. Ele é o autor de Pi, Réquiem para um Sonho e A Fonte, totalmente diferentes um dos outros e de O Lutador, todos recomendados.

O personagem principal de O Lutador, o decadente astro de luta-livre Randy Robinson, quase foi intepretado por Nicholas Cage. Inimaginável. Mickey Rourke é o próprio Randy Robinson - um perdedor na vida que busca a única vitória que ainda lhe é possível sob os holofotes e os olhos do público.

Randy me lembrou Raul. 

 

MR. ROCK’N'ROLL

 

Desde que o consumo de drogas e álcool de Raul Seixas subiu às alturas, no final dos anos 70, sua carreira – que sempre abominou as linhas retas – se tornou cada vez mais errática.

Chegou um ponto – especificamente, 1988 – em que ninguém mais confiava em Raul Seixas. Com 44 anos e 21 discos nas costas, nenhuma gravadora ou promotor de show apostava um tostão nas condições físicas e mentais do velho roqueiro.

A volta foi triunfal – por seu enorme sucesso e, antes disso, simplesmente por acontecer. Começou em setembro do ano passado, quando Raul foi convidado por seu herdeiro Marcelo Nova para cantar quatro músicas num show em Salvador. Raul – uma ruína física – ressuscitou numa performance endiabrada.

Centenas de milhares de pessoas viram os mais de 30 shows que se seguiram. Marcelo abria para Raul, que desfiava hits – “Rock das Aranhas”, “Aluga-se” – e hinos – “Ouro de Tolo”, “Metamorfose Ambulante”, “Sociedade Alternativa”, “Gita”. A voz era tremulante, mas ninguém se importava.

Sabe-se lá o que Raul tinha, para ser tão amado e respeitado. O fato é que sua figura há muito tempo tinha tomado proporções que ultrapassavam de longe suas muitas qualidades. Raul não era mais só o co-fundador da atitude rock brasileira, ao lado dos Mutantes. Também não era só quem melhor misturou o rock’n’roll com ritmos nacionais como o xote ou o baião, ou o único a colocar uma sensibilidade especificamente nordestina a serviço do rock. Seus fãs, os mais fiéis, não o adoravam só por seu messianismo ou sua visão contracultural. Mesmo quem não era fã, torcia pelo velho roqueiro.

O fato é que no final de sua vida Raul Seixas tinha se tornado um herói popular, um dos últimos disponíveis numa época em que acreditar em qualquer coisa ou pessoa está cada vez mais difícil. Por mais irregular que tenha sido sua carreira, por mais destrambelhada sua vida, ninguém nesse país mereceu mais o título que Raul Seixas carregou até ontem – “Mr. Rock’n’roll”.

(Ilustrada, Terça-feira, 22 de agosto de 1989)

Eu nunca fui nerd

Quando eu era adolescente não tinham inventado essa parada de “nerd”. Eu com quinze anos bebia, fumava, namorava, ouvia rock, tinha amigos maconheiros, arriscava umas reuniões de movimento estudantil, fabricava lança-perfume para vender em festinhas do colégio etc. E com 17, tudo isso e ainda era presidente do centro cívico. Mais normal não dá.

Só que não achava que ser tudo isso aí e ler, digamos, Denny O’Neil, Isaac Asimov, Jorge Luis Borges e Dante Alighieri fossem coisas excludentes. Em 1982 minha luz-guia era a “Heavy Metal”, revista americana de quadrinhos que considerava HQ, rock, filmes underground, drogas, alta e baixa literaturas, design e videogames tudo parte do mesmo balaio, um balaio muito cool chamado “cultura que importa”. Estou nessa desde aquela época e não saí.

Por isso, no dia 25 de maio eu não comemorei o Dia do Orgulho Nerd, que reverberou pela internet afora. Não me diz respeito.

A data é por causa da estréia americana de Star Wars, em 1977. Não é história para mim, é o meu passado. Vi no cinema na semana que estreou no cine Rívoli, na rua Benjamin Constant, acho que já em 1978. Meus amigos gostaram tanto quanto eu. Mas eu era um moleque fuçador e sabia antes que era quente - tinha visto as fotos na revista Cinemin e lido a adaptação da Marvel publicada pela Bloch. Roy Thomas e Howard Chaykin? Não sabe quem são? Não sabes o que perdeu.

Nunca tive o menor complexo de inferioridade por gostar do que gosto ou não ter lido isso ou aquilo. Continuo não tendo. Fui assistir o novo Star Trek, sozinho, na sessão das seis da tarde do primeiro dia. Na saída, centenas de trekkers uniformizados aguardavam a sessão das oito. Eu vi o novo Jornada antes dos caras da Frota Estelar… e desde 1982 esperava para ver o teste do Kobayashi Maru. Quer me chamar de nerd? Fique à vontade.

Fiz minha parte para popularizar o termo. A capa da revista “General” nº 3, em 1994, era uma pauta intitulada “A vitória dos nerds”, e entrevistei para ela o Thunderbird , então recém transferido para a Globo. E fui criador e editor da revista Herói séculos. A Herói era uma revista para fãs. O site Heroi.com.br é para fãs - em breve, mais para fãs do que tem sido nos últimos anos.

Me arrependo um pouco. A palavra Nerd hoje quer dizer essa coisa boba de “sou um gordinho espinhento, antisocial e rancoroso porque não consigo namorada, mas como sei tudo sobre Marvel /Tatsunoko / filmes de Kung Fu /Lost /etc., sou superior a estes plebeus populares.” É estereótipo, mas muita gente se acomodou nele. A versão geninho da informática “não transo mas programo em Gopher” também me cheira a dor de cotovelo (aliás, também me arrependo um tanto de ter feito tanta propaganda de Hunter Thompson. Agora, qualquer molenga que não sai de frente do computador é “gonzo”).

Eu sei um trilhão de coisas sobre quadrinhos e cinema e outras várias coisas que não fazem automaticamente parte do “universo nerd”. Mas sou crítico, o que para mim é a única diferença que importa. Esse negócio de gostar das coisas de maneira babona, acrítica, cega me enoja. É perfeitamente possível gostar de alguns filmes de Star Trek e outros não; ou de Tarkovski; ou de Chabrol; ou gibis do Batman; ou livros do Philip Roth; ou qualquer coisa.

Me irrita trombar jovens que acham que a vida se resume a ler gibi, jogar MMORPG, assistir desenho animado japonês etc. Tem muito mais coisa interessante por aí. Assistir 200 episódios de seriados por mês, quando você podia estar assistindo um filme do Mario Monicelli, é coisa de retardado mental e emocional. Paixão, sim. Visão estreita, não, por favor.

Vou mais longe: quem só lê gibi não entende o que está lendo. Porque os caras que escrevem gibi lêem outras coisas, e os caras que desenham são interessados em arte em geral, não só em quadrinhos. Se você tem um repertório mais variado, vai fruir de uma maneira muito mais profunda seu artefato pop predileto. O exemplo mais na cara é “A Liga dos Cavaleiros Extraordinários”, de - sempre ele - Alan Moore. Cada página faz alusão a algum universo ficcional, a maioria literários. Se você não pesca as referências, a “Liga” perde 90% da graça. Vale para gibi e para quase tudo na vida. Quem nunca tomou uma margarita não sabe que gosto tem um burrito.

E se você se sente meio incomodado ou atacado quando lê essas linhas, saiba que te falo isso de coração porque me importo. Quero o seu bem. Você é um dos meus. Te admiro porque já trabalhei com gente que parecia o mais fechado, acrítico e recalcado nerd por fora; e por dentro era de ouro.

E porque já trabalhei com gente que tinha desprezo por nerds e fãs e todo mundo que tem paixão infantil e teen e pura no coração. Gente que achava que a única coisa a fazer com essa nerdaiada era tirar o máximo de dinheiro dos trouxas. Assim tratava a quase todos com quem convivia, e assim tratava a mim. Aturei mais que devia. Não ature.

Quando eu achava que valia defender a palavra Nerd, costumava explicar para os incautos que nerd é um cara que gasta mais dinheiro e mais tempo que a média com coisas em que as massas normalmente não gastam dinheiro nem tempo. Por exemplo, é de se esperar que um homem de vinte anos de idade gaste muito tempo e dinheiro com, digamos, carro e futebol, e saiba tudo sobre carburadores e escalações. Mas, se ele tiver a mesma atitude com trilha sonora de filme pornô ou gibis brasileiros de terror dos anos 50, vira instantaneamente nerd. Entendeu?

Essa definição é justa e me inclui. Mas transforma em nerd qualquer um que tem uma relação apaixonada e informada com suas obsessões. É uma maneira de incluir, por exemplo, a tara de um amigo meu por comédias italianas. Essa explicação do conceito era uma atitude meio defensiva da minha parte. Retiro. Não é boa o suficiente. Embora eu continue achando muito melhor gastar tempo aprendendo sânscrito e dinheiro em collectible toys da Kotobukiya que seguindo bestamente a lavagem cerebral da mídia de massa.

A única coisa a fazer é rejeitar o epíteto de nerd e pronto. Não vamos mais conseguir resgatar o conceito do significado que ele ganhou. E de fato o mundo não se divide entre nerds e normais, ou geeks e populares. O mundo se divide - para efeito deste texto, pelo menos - entre gente interessante e desinteressante. Para mim, saber quem é Jim Steranko, Carl Stalling, Ken Adam ou Flávio Colin - de uma lista interminável - faz uma pessoa ser instantaneamente digna de atenção. Se você leu esse texto até aqui, já merece a minha.

Agora: se a figura conseguir conectar Conan com Alice no País das Maravilhas via pintores pré-rafaelitas e socialismo fabiano, estamos falando de uma pessoa interessante. Que não lê só gibi. Mas lê gibi.

Eu leio. Você não? Que dó.

E leio livros também, e vou a museu, e ouço música que não toca no rádio e ouço música que toca no rádio também. Eu não como só feijoada, nem só sashimi. O homem é um animal onívoro.

Variedade é o tempero da vida.

Nova revista, novo portal: EGW

Sei que muita gente que lê este blog não é gamer. Eu também não sou. Jogo pouco e cada vez menos. Também ouço pouca música e faço um blog de música chamado Bis. E não sou nenhum gênio da tecnologia e dirijo a PC Magazine. Eu entendo mesmo é de gibi. Vai ver se eu escrevo sobre gibi.

Trabalho é trabalho, lazer é lazer. Este blog é lazer. Ser diretor editorial da Tambor é trabalho. 

Agora, sou fascinado pelo universo dos videogames. Cada vez mais. 

Outro dia expliquei assim: se você quer saber o futuro da música, tem que jogar Guitar Hero: Metallica. Se quer saber o futuro do cinema, tem que jogar Metal Gear Solid 4. Se quer saber o futuro do seu mouse, tem que usar o Wii Remote. O exemplo mais na cara é o Nintendo DS, que popularizou a interface touch anos antes do iPod.

Videogame é negócio, é tecnologia hardcore, é design, é criação de personagens, é uma grande brincadeira e é para todo mundo.

E é o meu trabalho, ou boa parte dele. Sorte minha.

Mesmo que você não ligue para videogames, quero te convencer a prestar atenção nesse mundo.

Por isso, apronto essa que é a maior picaretagem que já arrisquei neste blog: copiar e colar uma entrevista que dei para o blog Gamer.br, do Pablo Miyazawa.

Mas é por uma boa causa.

O Pablo é o mais prestigiado jornalista de videogames do Brasil, por muitas boas razões. Também faz coisas como editar a Rolling Stone, mas isso muita gente era capaz de fazer. Ser um jornalista de games respeitado é para muito poucos.

Ele deu antes de todo mundo a notícia de que hoje chega às bancas uma nova revista, chamada EGW. É sigla para Entertainment + Game World. Ela substitui a EGM Brasil, que nos últimos sete anos tem sido a mais importante revista do universo de games deste país.

EGW, além de revista, é evento, a única premiação nacional para o universo dos games.

E é um portal bilíngue. Para a comunidade iberoamericana de games. É o primeiro portal do gênero. Está no ar, em beta. A prova de fogo será a cobertura da E3, a maior feira de games do mundo, na primeira semana de junho.

Em julho, começamos com conteúdo para os gamers portugueses.

Em agosto, com conteúdo em espanhol para os hermanos da América Latina e da Espanha. 

Não é por nada não, mas a EGW é uma tacada diferente de qualquer coisa que qualquer um já viu em termos de comunicação com o gamer.

Se você é louco por videogames, vai lá.

Se você é louco por cinema, novidades semana que vem.

Beijos e bom final de semana

 

André

 

 

GAMER.BR

 

21/05/2009 - 16:11

Entrevista da Semana: André Forastieri (EGW)

A Entrevista da Semana apresenta uma conversa franca com o jornalista André Forastieri, diretor editorial da editora Tambor. Nos últimos dias, ele foi o responsável por dois anúncios importantes no mercado nacional; O primeiro: o fim da revista EGM Brasil, que recém-completou sete anos de existência, e a substituição pela EGW. O segundo, a criação do portal de internet EGW (Entertainment Game World, que estreou hoje), dedicado ao consumidor não só brasileiro, mas também o ibero-americano. A conversa a seguir esclarece mais sobre as duas novidades e deixa mais clara a visão toda singular de Forastieri sobre a realidade nacional.

 

***

 

Gamer.br: Trocando em miúdos, quais os diferenciais do portal EGW em relação ao portal Gameworld? André Forastieri: Na verdade, faz quase três anos que incorporamos o Gameworld no Heroi.com.br., que passou a ter um conteúdo maior de games. Mas sentimos que o internauta e os anunciantes exigiam de nós um portal dedicado aos games. Demoramos para lançá-lo mais do que queríamos.

Uma das razões foi porque durante muito tempo, o 1UP planejava uma expansão internacional, com os parceiros de cada país. Com a venda do 1UP e cancelamento da EGM nos Estados Unidos, ficou claro que era a hora de lançar uma nova marca que estivesse presente na web, em mídia impressa, em eventos, realmente multiplataforma. O natural foi EGW - Entertainment + Game World, que já nasce como revista, site e como única premiação de games do país.

Dito isso, o site tem um plano de implementação de um ano. A cada mês, novas ferramentas serão introduzidas. A revista também tem um plano de um ano. E o próximo evento vai ser um salto com relação ao deste ano - que já foi muito bacana.

 

Agora a EGM se chama EGW. Fora a mudança de nome, o que mais muda na revista, grosso modo?

Pensamos a revista e o site simultaneamente. De cara, 20% do conteúdo da revista passa a ser de assuntos do interesse do gamer, mas não sobre games - cinema, DVD, tecnologia. Vai ter mais brindes. Vai ter mais pôsteres. Vai ter surpresas diversas. Vai ter sempre links expandindo as matérias no site.A revista passa a ter “páginas infinitas” no portal. Teremos o maior e mais completo diretório de dicas, e centenas de reviews publicados desde a EGM nº 1, mais as melhores matérias especiais publicadas na história da revista.

É muito fácil fazer uma revista de games, principalmente através de licenciamento. Basta pagar o dono da marca no estrangeiro. Difícil é fazer uma revista boa, que dure anos, mantendo uma base de leitores fiéis, e garantindo aos anunciantes o retorno para o seu investimento. Nós conseguimos isso com a EGM, e no último período a revista já era 90% produzida por jornalistas brasileiros. A EGW é a evolução lógica dos sete anos da EGM.

 

O que representa para o mercado de revistas essa mudança da publicação, ao mesmo tempo em que é anunciada a chegada da Edge via editora Europa?

A Edge é uma revista inglesa muito boa, muito sofisticada, dedicada mais ao lado criativo e de negócios no mundo dos games. E tenho certeza que o Fábio Santana e o Gustavo Petró - velhos companheiros, que fizeram parte da equipe da EGM - farão um ótimo trabalho na sua adaptação para o Brasil.Acredito que a EGW e a Edge, juntas, são mais que suficientes para atender as necessidades do leitor que quer se informar sobre o universo de games como um todo. A aposta da EGW é em 100% do conteúdo produzido por brasileiros, para brasileiros. O da Edge, em traduzir ótimo conteúdo produzido na Inglaterra. Acho que talvez haja espaço para a Edge.

Mas dificilmente outro título generalista conseguirá espaço. A tendência é ficar uma ou duas de Nintendo, uma ou duas de Playstation, e haver uma depuração do mercado.Agora, a razão da Edge substituir a GameMaster é que a GameMaster nunca conseguiu enfrentar a EGM. A Europa não conseguiu ter a principal revista multiplataforma do país com a GameMaster, agora tenta com a Edge. Como não conseguiu ter a principal revista de Nintendo do país - a N-Gamer nunca chegou perto da Nintendo World.Por outro lado, a gente anos atrás desistiu da SuperDicas Playstation. Éramos a número dois do mercado, mas a Dicas e Truques Playstation nadava de braçada em publicidade. Ganhamos umas, perdemos outras…

Acho que a diferença entre a Tambor e a Europa ou a Digerati é que elas têm muitos negócios diferentes. Primeiro, nós somos muito focados em games, tecnologia, entretenimento digital. Todos os jornalistas trabalham numa redação só e eu junto. Segundo, nós somos muito focados em internet. Nossos sites falam com mais de dois milhões de gamers todo mês. No Brasil, ninguém chega perto.

 

Você acha que atualmente é preciso investir mais em produtos para a internet do que em produtos de papel? Ou seja, ainda compensa investir na mídia revista?

Revista custa muito mais para fazer, mas a receita é muito maior. E de fato dá uma credibilidade muito diferente. Porque passa pelo crivo dos leitores, que estão tirando dinheiro do bolso todo mês para comprar a revista, “votando com a carteira”. E porque passa pelo crivo dos anunciantes, que só continuam anunciando se a revista realmente der retorno.

Dito isso, temos que reaprender a fazer revistas a cada ano que passa. Não pense que estamos satisfeitos com nossas revistas, e mesmo com a EGW. A busca da atualização e da surpresa tem que ser permanente.Fizemos uma capa toda preta, homenageando o Black Album do Metallica, para a edição de aniversário da EGM. Foi uma ousadia (pra não dizer maluquice). A venda subiu 20%.

Eu acho que o melhor mix é “revista + digital”. Um ajuda o outro. Na verdade, todo mundo gosta de revista! O que ninguém gosta é de pagar por uma revista que só te oferece o que você já tem de graça na internet. Nem eu.

 

Quem é o consumidor de games hoje no Brasil? Para quem exatamente você faz suas revistas e sites?

Você, Pablo. …Se você achar que estamos fazendo direito, provavelmente estamos!

Não, depende. Assim: a Nintendo World é para nintendista. O Portal MSN, que fazemos para o MSN e atinge 1,6 milhão de gamers por mês, é muito aberto. A comunidade EGW continua a trajetória de sete anos da EGM, no sentido de fazer jornalismo sério sobre games.

Mas, em um certo sentido, vai no caminho inverso da Edge. Principalmente no portal, nosso objetivo é sermos mais abrangentes, atrair o hardcore gamer e o jogador adulto, pai de família; o teen, o molecão, o jogador de MMO, e o cara que nem quer saber tanto dos bastidores da indústria, mas não passa um dia sem jogar no seu PSP. Ah, e as mulheres também.

Inclusive, o portal EGW já nasce com a missão de atender também ao mercado português, e a partir de agosto, a todo o mercado latino-americano, com conteúdo em espanhol.Nossa missão é sermos “O primeiro portal de games da América Latina”. Ou seja, fazemos conteúdo de games para gamers de todos os tipos, idades, gostos e agora até de línguas diferentes!

 

No evento Troféu Gameworld, você afirmou que o Brasil é o país com maior possibilidade de crescimento da indústria de games em todo o mundo. De que depende esse crescimento, afinal? O que nos impede?

O Brasil é a décima maior economia do mundo. Temos uma população na maioria jovem, todo mundo fala a mesma língua, a maioria é urbana, não temos guerras civis, a economia está sofrendo menos que o resto do mundo. Somos o nono maior mercado de TI. Mas hoje o Brasil é 1 a 2% do negócio de games global. Isso não tem sentido.

Por isso, o crescimento do mercado formal será muito grande nos próximos anos, a despeito de todos os problemas habituais - impostos, preços altos etc. Vamos dobrar, triplicar, ano após anos.Acredito que vai crescer o modelo habitual - venda de hardware e caixinha de jogo em lojas especializadas e em grandes varejistas, online e offline - mas também vão crescer muito negócios que fogem ao beabá, como jogos cada vez mais sofisticados para celular, MMOs com modelos diferentes de receita, distribuição digital, eventos ligados a games e por aí vai.

Claro que quem se mexer mais vai levar vantagem. Se a Sony começa mesmo a fabricar jogos para PS3 em Manaus em 2010, leva vantagem. Se não, não.O grande portal tipo UOL ou Terra ou MSN que resolver investir sério para ter o maior share de MMOs levará vantagem. A agência de publicidade que ficar conhecida como a melhor em advergaming levará vantagem. O primeiro varejista online a oferecer compra de jogos via distribuição digital em reais e em parcelas levará vantagem. Por aí vai.

Eu editei minha primeira revista de games em 1994 e nunca estive tão otimista com nosso mercado quanto agora. Tenho certeza que o mercado brasileiro de games vai ser 10% do mercado mundial, em um prazo curto. Quer uma previsão? 2015. Me cobra pra ver se eu acertei daqui a seis anos!

Gibi não é pra criança

Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança.

É inacreditável que em 2009 eu precise repetir isso quinhentas vezes para ver se entra na cabeça desse povo burro.

Gibi é para todo mundo. Como qualquer livro. É uma forma de expressão. Uma arte, se você quiser. Tem gente que nem chama de gibi ou de HQ, chama de “arte sequencial” ou “romance gráfico”, graphic novel. Pode ser tão sublime ou idiota como, digamos, um filme. Pode ser pra nenê ou pra gente muito madura, como uma peça de teatro.

Antigamente, a maioria era apropriada para crianças pequenas. Hoje, a maioria não é.

Vai na banca conferir. Tem uns 200 títulos diferentes lá. Nem 20% disso apropriados para criança.

Como cinema. Ou literatura. Ou peças de teatro. Tá claro?

Agora, se você for nesse instante numa grande livraria brasileira, vai encontrar quadrinhos para criança e quadrinhos eróticos e quadrinhos políticos e quadrinhos de todo jeito, tema e formato todos juntos numa estante marcada “Quadrinhos.” Se marcar, vizinha da estante de “Infantis”.

Não tem nenhum sentido juntar Guido Crepax e Alan Moore e Allan Sieber e Osamu Tezuka e Flávio Colin e Wander Antunes e Hugo Pratt e Marcelo Gaú e Bryan Talbot e Takehiro Inoue na mesma estante. Sei porque publiquei todos eles, na Conrad ou na Pixel.

Qualquer adulto pode e deve ler Dragon Ball ou Tio Patinhas. Como pode assistir Wall-E. O contrário não é verdadeiro. Meu filho não pode assistir Apocalypse Now, que é um dos melhores filmes que eu já vi. Ele tem cinco anos. É muito pesado. Não é hora. Também não pode assistir O Triunfo da Vontade, que não tem palavrão nem mulher pelada. Porque é propaganda nazista. Tomás não está pronto.

Esse escândalo por conta do livro “Dez na Área, Um na banheira e Ninguém no gol” é um escândalo mesmo, por várias razões.

Primeiro, porque a barbeiragem é do governo. Esse livro não foi escrito nem ilustrado para crianças de nove anos. Quem botou o livro na mão da molecada que se responsabilize. Não foram os editores, organizadores ou autores - um time de primeiríssima que orgulharia qualquer indústria de HQ do planeta.

Tenho e li o livro - apesar do meu reconhecido horror por futebol - justamente por causa disso. Que eu me lembre, acho que deveria ser indicado para adolescentes, o que pela lei brasileira significa os mais velhos de doze anos.

Dito isso, se alguma criança de nove anos ler, não vai ter suas retinas derretidas nem seus valores entorpecidos. Não vai virar bandido nem psicopata. Qualquer programa tipo “A turma do Didi”, aprovado pela família brasileira nos almoços de domingão, tem gozação com homossexual, preto, mulher, macho, nordestino. Sarro se tira em cima de alguém.

Um dia desses, uma mãe burra vai dar o Buda de Ozamu Tesuka - meu mangá predileto de todos os tempos, terno e inteligente - para seu filhinho de sete anos. E quando ver que o gibi, além de uma mensagem inesquecível, tem moças com peito de fora, guerra e morte e sangue, vai processar a livraria, a editora, o autor etc. E um bando de políticos demagogos vão pegar uma carona para posar de defensor da moral.

Escândalo é o governo entrar com bilhões de reais de dinheiro público para ser sócio de empresas falidas enquanto tem gente morrendo em enchente. Mau gosto é deixar a cidade de São Paulo largada, como está.

Aliás, liberdade de expressão é sempre a liberdade de expressarem o que eu não gosto, não suporto, não aturo, acho errado e de mau gosto. Quem não entendeu isso não sabe o que é democracia. O que significa que 90% dos brasileiros não sabe o que é democracia. E esses caras têm filhos na escola, frequentam bancas e livrarias etc. Eu preferia que eles fossem desintegrados por raios atômicos marcianos - seria um país mais agradável - mas não tenho esperança que isso vá acontecer tão cedo.

Às vezes eu acho que a indústria de HQ brasileira precisa de um sistema de classificação, como os games e os filmes. É triste, perigoso e um tanto emburrecedor, mas talvez seja o jeito. Não na linha do Comics Code americano, tesconjuro; talvez  dois ratings, sempre sugeridos pelo próprio editor. Para Todas as Idades, Sugerido para Maiores de 12 anos. E tá bom.

Acima de 13 qualquer um deveria estar livre para ler o que bem entender, de Sade a Shakespeare; e ver qualquer coisa, inclusive pornografia e terror hardcore; e de fato os teens já fazem isso, porque quem tem acesso à internet tem acesso a tudo. Contra o avanço da tecnologia leis obsoletas nada podem.

O escândalo final, e muito escandaloso para mim, é o tom de indignação da grande imprensa - Ó, nossas pobres criancinhas, expostas a esse lixo etc. Às vezes tenho nojo de ser jornalista.

E às vezes tenho orgulho. Por exemplo, lendo o blog do Paulo Ramos, que fez a melhor cobertura do caso. O mesmo Paulo já twittou a principal consequência do “escândalo” - estão subindo as vendas do livro em livrarias. Para alguma coisa, tanto escândalo tem que servir…

Quer trabalhar?

Me diga até amanhã porque você deve ser o novo editor do site Heroi.com.br. E como você vai fazer ele ficar muito melhor do que ele é hoje.

O amigo Cassius Medauar, titular do Heroi.com.br, vai nos trocar por uma vida tranquilinha de tradutor. Pena. Mas tenho certeza que vai continuar colaborando com a gente.

Estamos cozinhando desde janeiro um novo projeto editorial, novo layout e ferramentas para o Heroi.com.br. Por uma razão ou outra, fomos adiando. De julho não passa.

Você tem que ser fã alucinado de ficção fantástica - no cinema, TV, literatura, quadrinhos, games. Tem que ser apaixonado. Tem que saber escrever. Tem que ser fuçador de internet. Tem que gostar de conversar com os outros sobre esses assuntos, on e offline. Tem que se orgulhar de gostar dessas coisas, nada de complexo de nerd. Tem que ser gente fina. Pode ser de qualquer sexo.

Em 1995, contratamos um jovem do jornal Notícias Populares para ser redator da Herói, então só revista - a web dava seus primeiros passinhos. Na primeira semana de trampo, ele ligou para um chapa do NP e sacaneou: “meu, você sabe sobre o que eu estou escrevendo? Sobre os VINGADORES! É, Capitão América, Feiticeira Escarlate. É inacreditável! É o melhor emprego do mundo!”

Esse é o espírito.

Lembra desse dia, Ivan?

A decisão é sexta-feira.

E o email é: andre.forastieri@pcmag.com.br.

Go!

Rock’n'roll confidential: o segredo da fidelidade masculina e como levar garotas adolescentes ao êxtase comunal

Se você não me ler depois deste título, desisto.

A neuropsiquiatra doutora Louann Brizendine, autora do best-seller Como As Mulheres Pensam, diz que a liberação da dopamina do cérebro de uma garota que grita ao ver seus ídolos é como uma “injeção de heroína“. Estar ao lado de outras garotas gritando, diz ela, só torna o efeito ainda mais selvagem.

“Há algo na biologia que chamamos de sincronia”, diz Brizendine. “Uma garota afeta a outra em um efeito dominó que se amplifica até o nível da histeria. Seus cérebros estão sendo inundados de dopamina e oxitocina, que é um hormônio ligado ao amor e à afinidade. A grande quantidade de estrogênio das adolescentes catapulta os níveis de dopamina e oxitocina no cérebro, criando um surto de êxtase nelas mesmas e nas outras.”

Os últimos dois parágrafos fazem parte da reportagem sobre o fenômeno Jonas Brothers, na nova edição da Rolling Stone.

Eles explicam muita coisa. Se tiverem um pingo de embasamento científico. Não faço idéia. Mas achei convincente mesmo assim. 

Faz anos que defendo que tem banda pra homem e banda pra mulher. Você, que tem banda, tem que escolher.

Caras que tocam em banda para homem ganham pouco dinheiro, fazem pouco sucesso, tem audiência majoritariamente masculina e pegam pouca mulher. 

Caras que tocam em banda para mulher ganham muita grana em pouco tempo, tocam pra audiência majoritariamente feminina, pegam mulher paca. 

Só que quem toca em banda para homem tem chance de ter uma carreira que dure mais de dois, três anos. Diferente dos New Kids on the Block, do N’Sync, dos Jonas Brothers.

As exceções - Duran Duran! - confirmam a regra.

E finalmente a doutora explicou. As minas saem da adolescência, diminui a produção de estrogênio, diminui a histeria e o êxtase coletivos. Por isso é que compro minha Rolling Stone todo mês. É educativa.

Já os machos, well, uma banda que você acha duca aos dezesseis anos é um amigo que você tem para sempre. Trinta anos depois tá lá você levando os filhos pra ver o Iron Maiden. Homem, quem diria, às vezes é mais fiel…

Um sonho cada vez mais bonito

iPad. Ouviu falar? O boato é que é uma nova categoria de produto, desenvolvido pela Apple, a ser anunciado em junho. Algo parecido com um iphone, mas com tela de dez polegadas.

Teria acesso 3G e wi-fi, tela touch e grande, para você fazer tudo que faz em um computador, sem usar teclados nem clicar. Inclusive, claro, ver filmes, televisão e jogar videogames. Seria mais caro que um iphone, mais barato que um notebook. Finalmente, a geringonça com que sempre sonhamos.

O rumor começou faz algumas semanas e ganha peso a cada dia que passa, conforme vai se aproximando o dia 8 de junho - início do encontro anual dos desenvolvedores Apple, em San Francisco.

Eu estava muito decidido a comprar um Kindle DX, a nova versão do e-book reader da Amazon. Será lançado no verão americano. Faria minha vida de leitor profissional mais barata e prática, para ler o que preciso e o que gosto. 

Mas por mais que eu confie em Jeff Bezos, confio mais em Steve Jobs. Comprei meu primeiro Mac em 1992, e tirando um breve ano de traição com um PC Itautec, me mantive fiel. Mesmo com tantos softwares não-Apple cada vez melhores. Mesmo aturando as muitas trapalhadas da Apple, que não foram (e não são) poucas - e que os muitos fãs babões da maçã ignoram ou fingem ignorar. 

Não sou fundamentalista. Uso Thunderbird e Firefox e Safari e Word e Excel. Adoto o que for mais conveniente e divertido. A Apple leva vantagem por causa do desenvolvimento conjunto do hardware, software e serviços, pensados desde o início para funcionar organicamente um com o outro. O iPod não faz tanto sucesso só por causa do aparelho em si; é legal por que funciona perfeitamente com o Mac OS e o iTunes. Só conheço uma empresa que faz isso melhor que a Apple, a Nintendo. Mas Shigeru Miyamoto não é “só” um gênio criativo; é um artista de primeira grandeza.

Jobs, como se sabe, está muito doente. Espero que viva mais cem anos; mas tenho certeza que ele deve estar sentindo a urgência de cumprir suas principais missões. Ter construído a Apple, a Next e a Pixar já coloca ele nos livros de história, claro.

Mas um iPad realizaria o sonho original do PC - o poder de um computador nas mãos de cada pessoa do mundo - melhor que o iPhone, ou de qualquer coisa que a Apple já fez. É um dos sonhos mais lindos que se pode ter. E ninguém no mundo fez mais por ele do que Steve Jobs.

Homeopatia não existe

 

Recebi um folhetinho chamado “Ciência da Homeopatia - Jornal Informativo da Associação Nacional dos Terapeutas Holísticos e Energéticos.” Juro. Eu não seria capaz de inventar uma asneira dessas.

O português é de analfabeto, mas as chamadas de capa são geniais, como “Drenadores Miasmáticos”. Uma delas entrega o jogo: “Homeopatia se comprova pelos resultados.”

É exatamente o contrário. Nada se comprova pelos resultados. As coisas se comprovam ou não a partir de utilização de uma coisa chamada método científico.

O método científico não é perfeito, mas está em constante aperfeiçoamento. É pouco, mas é a melhor coisa que o ser humano inventou. Sua casa está de pé, seu carro anda e seu computador funciona graças à aplicação prática do método científico. Não dá pra questionar que ele funciona razoavelmente bem.

Alguns  cientistas se irritam com besteirol pseudocientífico. Uma turma composta de nomes muito respeitados - gente como Richard Dawkins e Jared Diamond - faz parte de uma sociedade dedicada a promover a ciência e desmistificar essas enganações medievais que ainda emporcalham o século 21. Você pode conhecer mais sobre o trabalho da Skeptics Sociey aqui. 

Agora, “resultado”, o que exatamente é isso? A tosse da sobrinha passou porque ela tomou homeopatia? A rinite da vovó? A dor de estômago do vizinho?

Meu pai é médico. Desde criança ouço ele falar que a maioria das doenças passa sozinha. Porque o corpo reage. Se nesse período a pessoa vai numa benzedeira, faz uma simpatia, toma homeopatia, florais, vai ao massagista etc., vai atribuir sua “cura” ao tratamento. Se vai ao médico, mesma coisa. Alguns tratamentos aceleram a cura. Alguns atrapalham. A maioria não faz nada, ou faz tão pouco que tanto faz.

Homeopatia atrapalha pouco, mas me irrita bastante. O jornalzinho aí me tirou do sério. Tirando o besteirol, traz textos como “Vacinas prejudicam a imunidade dos animais” - obscurantismo é pouco (isso me tira muito mesmo do sério: argumentos pseudos contra vacinação).

Mas não acredite em mim. Pense por si mesmo. 

Você sabe quais os princípios da homeopatia?

Vamos lá na Wikipedia:

“O tratamento homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático doses extremamente pequenas dos agentes que produzem os mesmos sintomas em pessoas saudáveis, quando expostas a quantidades maiores. A droga homeopática é preparada em um processo chamado dinamização, consistindo na diluição e sucussão da substância em uma série de passos.

Os altos níveis de diluição (variando de acordo com o medicamento), aliados ao grande número de estudos científicos com resultados negativos, fazem com que haja bastante controvérsia em torno do funcionamento da homeopatia.“

O post apresenta uma bela coleção de argumentos científicos contra a homeopatia. Nada a favor. Porque não existe nada científico a favor.

Você tem idéia do nível de diluição da homeopatia? 

Começa com uma parte por cem. E depois avança bastante.

A tabelinha, também do Wikipedia, está aqui:

Potência Diluição Concentração Expoentes
1ª dinamização centesimal hahnemanniana = 1CH 1/100 1 para 100 10-2
2ª dinamização centesimal hahnemanniana = 2CH 1/10000 0,01 para 100 10-4
3ª dinamização centesimal hahnemanniana = 3CH 1/1000000 0,0001 para 100 10-6
4ª dinamização centesimal hahnemanniana = 4CH 1/100000000 0,000001 para 100 10-8
12ª dinamização centesimal hahnemanniana = 12CH 1/1 x 1023 0,(21 zeros) para 100 10-24

É mais ou menos como pingar uma gota de mertiolate em uma piscina, misturar bem e passar no seu joelho machucado, esperando que desinfete.

Se você acredita que isso funciona, não acredita no café que toma. Porque o princípio do café, do chá, e de tudo que ingerimos é exatamente o contrário. Quanto mais pó de café por xícara, maior o pega de cafeína. Quanto mais açúcar na goiabada, maior a pança.

Se você acredita em homeopatia, não acredita em medicina tradicional, milenar, ervas medicinais etc. Quanto mais boldo no chá, mais rápido passa a ressaca. Quanto mais folhas de coca o índio masca, mais suave a subida da montanha. Isso é medicina tradicional. Homeopatia é o contrário: quanto menos você consome da substância, mais ela funciona. What?

A homeopatia foi inventada do nada por um alemão no século 19 e não tem nada que ver com tradição nenhuma, fora a tradição de autoengano do ser humano. É mágica. É fantasia. É bruxaria. É tudo que você quiser, menos racional.

Como é de mentirinha, não dá para provar. Anos atrás, Sir John Maddox, editor da revista científica mais respeitada do mundo, a “Nature”, aceitou publicar um artigo de um francês chamado Jacques Benveniste, que “explicava” como a homeopatia funciona: a água teria “memória”, e portanto guardaria as propriedades das substâncias diluídas nela.

Maddox só estabeleceu uma condição: Benveniste deveria abrir seu laboratório, para que uma equipe de especialistas designados pela “Nature” avaliasse as condições em que o francês realizou seu experimento. Obviamente o experimento era furado. Benveniste não conseguiu provar nada.

Entre os especialistas, estava o cético profissional, mágico, investigador do paranormal e meu ídolo, James Randi. A James Randi Educational Foundation oferece um prêmio de um milhão de dólares para qualquer um que prove que qualquer coisa paranormal exista. Randi fez um desafio: daria essa grana toda para qualquer um que provasse que homeopatia funciona. Por enquanto, nada. Você talvez lembre: a matéria passou no Fantástico.

Não resisto a copiar da Skeptic.com o  texto sobre homeopatia, da minha querida doutora Harriet Hall, a “skepdoc.” Segue abaixo.

Antes, compartilho o lema da Skeptics Society:

“All our science, measured against reality, is primitive and childlike — and yet it is the most precious thing we have“.

Albert Einstein

Melhor não sei dizer.

 

Homeopathy — Still Crazy
After All These Years

by Harriet Hall, MD

HOMEOPATHY IS ONE OF THE LONGEST RUNNING FORMS OF PSEUDOSCIENCE IN THE MODERN WORLD. Oliver Wendell Holmes recognized that it was nonsense back in 1842 when he wrote “Homeopathy and Its Kindred Delusions.” We long ago gave up the nonsense of trying to balance the four humors by bloodletting and purging, but the homeopathy Energizer Bunny is still marching on. What makes it so indestructible?

One reason is a lack of understanding about what homeopathy really is, even among health care providers. I recently heard about a nurse who thought “homeopathic” just referred to any mild natural herbal remedy. In case any readers are similarly confused, here’s a brief overview. Homeopathy was invented by Samuel Hahnemann in the late 1700s. It is based on the now-outdated principle that “like cures like,” and the lower the dose the better in homeopathy. If coffee keeps you awake, highly diluted coffee will put you to sleep. The more dilute the coffee, the better you will sleep.

To figure out what remedy works for what symptoms, you do a “proving” by giving a substance to healthy people and writing down every symptom they have for the next few days (without trying to determine whether the symptom was due to the substance or was just coincidental). You make a remedy by diluting that substance many times and shaking it (succussing) at each step. You look up a patient’s symptoms in a book listing all the different proving results, and you give him the remedy that best matches what ails him.

For one remedy, the book lists symptoms in 19 body systems, with entries such as this one: “Pain in back, with desire for some firm support. Every movement accelerates the circulation. Palms hot and perspiring. Nasal discharge or dry nose. Hangnails. Warts. Chill between 9 and 11 AM. Coldness of legs with congestion to head, chest, and stomach. Sleepy in forenoon. Dreams of robbers…” It goes on like that for pages. All of those symptoms were reported in provings by healthy people after they ingested Natrum muriaticum. That’s table salt. How could anyone seriously believe that table salt causes all those symptoms, or for that matter believe that a dilute salt solution could relieve all those symptoms?

How dilute? Serious dilution, as in comparable to one drop diluted in all the water on Earth. When they realized that no molecules of the original substance were left in most homeopathic dilutions, homeopaths rationalized that the water must “remember” what it had come into contact with — as in clusters of water molecules somehow holding the memory of their encounters with the allegedly curative substances. Unfortunately, homeopaths have failed to explain how water can remember what it’s supposed to remember, and forget all the other memories of coming into contact with various trace contaminants, elements, bacteria, and whatever else happened to float by at the time.

In homeopathy, any substance can be a remedy; even a non-substance. My favorite is “eclipsed moonlight.” I’ve been trying to find out how they collect it to prepare the remedy; no one’s talking. And then there was the homeopath who was selling homeopathic vaccines for smallpox and anthrax, which he said were made by diluting the real thing. I reported him to Homeland Security, because if he can get the real thing, so can terrorists. Jacques Benveniste is infamous for winning two IgNobel prizes for homeopathy studies: the first one couldn’t be replicated when proper blinding controls were used; in the second one, he claimed to have sent the electronic signature of the remedy over the Internet.

The Benveniste basophile degranulation study was a convoluted attempt to show that water could remember. It was supposedly replicated in other labs, notably by Ennis. Homeopaths are still citing these studies as evidence for the memory of water, but this is intellectually dishonest. In the first place, the studies are completely discredited by the fact that every attempt to repeat them with proper blinding has failed. When James Randi and a team from Nature visited Benveniste’s lab, his experiment stopped working. When Ennis’s experiment was repeated for Randi’s million dollar prize on the BBC showHorizon, it failed. If the experiment really worked under proper blinding conditions, someone could have easily won the million dollars by now.

In the second place, homeopaths don’t seem to realize that if the results of those experiments were valid, it would mean that homeopathy couldn’t possibly work as advertised. The effects went up and down with consecutive dilutions rather than steadily upwards, and it appears that they got a similar effect from a dilution as from the full strength solution, rather than getting the expected opposite effect.

Homeopathy is about as silly as it gets. Silly wouldn’t matter if it worked, but it doesn’t. People think it works because they get placebo effects and the homeopath keeps them entertained while they get better on their own.

One recent meta-analysis claimed to have found that homeopathy worked better than a placebo in general, but that it didn’t work better than placebo for any specific condition. I’m still trying to wrap my brain around that. That’s like saying broccoli is good for all people but it isn’t good for men or women or children. Other meta-analyses have been negative, especially the ones that looked at only the higher quality studies. A recent editorial in the British medical journal Lancet proclaimed “The end of homeopathy.”

Perhaps the most promising development is that Edzard Ernst, MD, has spoken out strongly against homeopathy. This is important because he was a practicing homeopath and the world’s first professor of complementary medicine. For the last 15 years he has led a team of researchers studying the evidence for alternative medicine, and he now concludes, “With respect to homeopathy, the evidence points towards a bogus industry that offers patients nothing more than a fantasy.”

Despite science and reason, homeopathy isn’t about to go away. It has some really good things going for it. When you visit a homeopath, he wants to know all about you. He gives you far more time and attention than your MD does. He picks a special treatment designed just for you. If it’s not working he has an explanation and something else to try next time. He’s always confident he can help you get better. Homeopathy is inexpensive. It has no side effects. It’s the ideal placebo. It’s great for the worried well and the hypochondriac. It’s great for those elusive symptoms scientific medicine cannot diagnose and cure. It’s harmless except in cases where patients are persuaded to forgo effective medical treatment, or when homeopathic vaccines are offered in lieu of real vaccines.

It’s popular in Great Britain where Queen Elizabeth uses it, Prince Charles promotes it, five homeopathic hospitals are still operating, and the National Health Service is paying a good chunk of its budget for it.

Let’s say you aren’t sleeping well. You could go to an MD and get a prescription sleeping pill that only works a little better than a placebo and has side effects, or you could go to a homeopath and get a placebo that has no side effects and is a lot cheaper. You’re probably better off with the placebo. Why don’t MDs prescribe placebos? Because it’s unethical: we don’t lie to patients; we can’t tell them a remedy is effective if we know it is no more effective than a sugar pill.

It’s easy to see how doctors could be persuaded that homeopathy works. Patients tell them they feel better. That’s why bloodletting and purging lasted so long: patients got better despite the treatment and the treatment got the credit. That’s why we have to do randomized controlled trials to make sure just as many patients don’t get better withouttreatment.

The arguments homeopaths use to support their beliefs would earn an F in a Logic 101 course. Here are just a few taken from “Presenting 50 Facts About Homeopathy” by Louise Mclean.

  • Hippocrates said there was a law of similars. [Hippocrates also said all illness was due to an imbalance of the four humors.]
  • Homeopathic provings are a more scientific method of testing than the orthodox model. [If you say something totally false often enough, someone might start to belief it.]
  • There are more than 4000 homeopathic remedies. [None of which work]
  • The exact substance in a homeopathic remedy is known, unlike most modern drugs where we are rarely informed of the ingredients. [What? We are informed if we know how to read!]
  • Homeopaths treat genetic illness, tracing its origins to six main genetic causes: Tuberculosis, Syphilis, Gonorrhea, Psora (scabies), Cancer, Leprosy. [Geneticists would be surprised to hear this.]
  • Homeopathy got better results than conventional treatment in epidemics of cholera and typhoid in the 19th century. [Only because 19th century conventional treatment did more harm than good. Today’s conventional medicine is a bit more effective.]
  • Lots of people believe in homeopathy. [Lots of people believe in ghosts and angels, but that doesn’t make them real.]
  • Big Pharma doesn’t want us to know how well homeopathy works. [Conspiracy theories are alive and well.]
  • Queen Elizabeth never travels anywhere without her homeopathic vials of medicine. [And Madonna uses Kabbalah water.]

Arguments like these just highlight the intellectual bankruptcy of the homeopathic belief system. They would love to find scientific validation, but they reject science when it doesn’t support them. One repeated excuse is that the remedies are individualized so they don’t lend themselves to controlled trials. That’s just nonsense. A homeopath could prescribe individualized remedies and third parties could randomly dispense either what had been prescribed or a placebo control. Neither patient nor homeopath would know which the patient got.

Homeopathy was humbug in 1842. It’s still humbug today. That’s a diagnosis you can prescribe to everyone.

 

A infinita infidelidade da internet

Nos últimos dez dias, duas vezes um texto deste blog ganhou chamada na home do UOL. O primeiro, sobre a Virada Cultural, rendeu 214 comentários. O segundo, sobre as mulheres brasileiras e seus corpos, 138.

Os textos publicados na semana entre eles renderam 15, 20 comentários. Porque tiveram muito menos visitas, claro. Tive em uma semana cinco vezes mais visitas que no mês anterior todo. O gráfico do Google Analytics não mente. São dois Everests e uma planície entre eles.

No caso da Virada Cultural, a maioria esmagadora me chamava de descerebrado para baixo. É razoável que essa turba não voltasse para me xingar no dia seguinte.

No caso do texto chamado “Cléo Pires, seis quilos mais magra e agora, feia”, fiquei satisfeito de ver que a maioria dos comentários era de mulheres. E mais, que elas ficaram muito felizes com o artigo. Mas aconteceu o que eu já esperava. Esse exército perfumado - algumas me declararam amor, love you too, babe - me abandonou no dia seguinte. Vem fácil, vai fácil.

A internet é assim mesmo: estimula a infidelidade. Se você está na home do portal, merece atenção.  Se não, há outros textos pra ler, outras fotos para ver, outros comentários para fazer, outros amores à espera. Longe dos olhos, longe da interação.

Eu também sou assim. Percebo bem no YouTube. Às vezes procuro um velho clip lá que estou querendo muito ver. Ponho para passar e quando vejo, já estou conferindo outras ofertas do lado e, fazer o quê, clicando. Me sinto um pouco como um cara numa orgia, transando com uma mulher e olhando a do lado.

Quanto mais assino RSS, mais quero ver outros RSS e menos atenção dou para os que já assino. Acabei cancelando quase tudo. E quando assinei por email o blog do Seth Godin, ele perdeu grande parte da graça. Aquele momentinho em que eu entrava no blog, a cada dois dias, era um momento de investimento de tempo e atenção da minha parte. O email que pinga na minha caixa diariamente é só mais um de centenas. Perdeu valor.

J.J. Abrams, que fez bonito como diretor do novo Star Trek, foi o editor convidado da revista Wired, um mês atrás. A edição é de guardar para sempre. O tema são mistérios, segredos, truques, mágica. No artigo de Abrams, ele fala de como valorizava muito mais os discos em CD do que as canções que compra online; e de como valorizava a ida à loja, e a conversa com o atendente, e olhar os discos disponíveis; de como visita a Amoeba de Los Angeles e fica observando o povo a olhar os discos disponíveis: “é uma arte perdida”.

Abrams fala da “Era do Imediato”. Uma era que mantém muitos mistérios, mas onde tudo parece mais exposto, mais disponível. O exemplo dele: quer aprender a fazer Origami? Uma busca no Google traz 200 mil sites que ensinam. 

Podemos saber qualquer coisa a qualquer momento, mas a verdadeira compreensão de qualquer coisa - de Origami, por exemplo, ou do seu filho, ou de como assar uma picanha - continua exigindo esforço, dedicação, habilidade. Coisas que dão trabalho. E para as quais temos cada vez menos paciência. Queremos o resultado, queremos chegar ao final rápido. Paraíso, versão século 21: uma ejaculação precoce a cada minuto.

Eu, só de saber que tem 200 mil sites ensinando Origami, já fico com preguiça de tentar a primeira dobradura. Na verdade tenho a impressão que só de receber a resposta do Google, já aprendi alguma coisa, e aquilo não me interessa mais. A fila anda, como num desses filmes pornô com maratonas sexuais - trezentos, quatrozentos caras fodendo por trinta segundos a mesma mulher.

Jodie Foster, numa entrevista ao diretor Mike Figgis, dá um ótimo exemplo. Diz que nos anos 70, os melhores atores faziam um filme a cada dois anos, porque queriam se dedicar ao máximo. Então você esperava mais de um ano para ver o novo filme de Robert De Niro, e quando ele chegava, era um evento. Hoje De Niro faz cinco filmes por ano e ninguém se importa como antigamente. Mais nem sempre é mais. 

Não se trata de nostalgia ou de achar que antigamente era melhor. Não era. Ronaldo Passini Masciarelli escreve muito bem sobre o que era gostar de rock nos anos 70. Vale para rock e para todo o resto. Você conhecia poucas bandas, e poucos escritores, e poucos artistas de cinema, e poucos programas de televisão. Conhecia somente as pessoas com quem convivia ao vivo, não virtualmente - imagine só!

Era tudo menos e menos interessante. Mas você investia mais tempo e dedicação nesses relacionamentos. Não é que eles tinham mais significado que os relacionamentos superpassageiros de hoje. Tinham significado diferente.

As coisas mudaram. A era do Imediato é a era da rapidinha com um estranho. Somos diferentes e quanto mais jovem, mais diferente. A geração que cresceu com o controle remoto da TV na mão era impaciente. A geração que cresce com o Google está bem além. Foi educada pela tecnologia a ser infiel. 

Talvez longos relacionamentos não tenham futuro. Bem, pode ser uma boa coisa. Milhares de anos de fidelidade e submissão - ao rei, à pátria, a Deus e aos nossos amados cônjuges - tiveram seu uso, mas não trouxeram lá um saldo tão positivo. Para o bem e para o mal, agora estamos tentando algo novo. Já era hora.


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