Sei que muita gente que lê este blog não é gamer. Eu também não sou. Jogo pouco e cada vez menos. Também ouço pouca música e faço um blog de música chamado Bis. E não sou nenhum gênio da tecnologia e dirijo a PC Magazine. Eu entendo mesmo é de gibi. Vai ver se eu escrevo sobre gibi.
Trabalho é trabalho, lazer é lazer. Este blog é lazer. Ser diretor editorial da Tambor é trabalho.
Agora, sou fascinado pelo universo dos videogames. Cada vez mais.
Outro dia expliquei assim: se você quer saber o futuro da música, tem que jogar Guitar Hero: Metallica. Se quer saber o futuro do cinema, tem que jogar Metal Gear Solid 4. Se quer saber o futuro do seu mouse, tem que usar o Wii Remote. O exemplo mais na cara é o Nintendo DS, que popularizou a interface touch anos antes do iPod.
Videogame é negócio, é tecnologia hardcore, é design, é criação de personagens, é uma grande brincadeira e é para todo mundo.
E é o meu trabalho, ou boa parte dele. Sorte minha.
Mesmo que você não ligue para videogames, quero te convencer a prestar atenção nesse mundo.
Por isso, apronto essa que é a maior picaretagem que já arrisquei neste blog: copiar e colar uma entrevista que dei para o blog Gamer.br, do Pablo Miyazawa.
Mas é por uma boa causa.
O Pablo é o mais prestigiado jornalista de videogames do Brasil, por muitas boas razões. Também faz coisas como editar a Rolling Stone, mas isso muita gente era capaz de fazer. Ser um jornalista de games respeitado é para muito poucos.
Ele deu antes de todo mundo a notícia de que hoje chega às bancas uma nova revista, chamada EGW. É sigla para Entertainment + Game World. Ela substitui a EGM Brasil, que nos últimos sete anos tem sido a mais importante revista do universo de games deste país.
EGW, além de revista, é evento, a única premiação nacional para o universo dos games.
E é um portal bilíngue. Para a comunidade iberoamericana de games. É o primeiro portal do gênero. Está no ar, em beta. A prova de fogo será a cobertura da E3, a maior feira de games do mundo, na primeira semana de junho.
Em julho, começamos com conteúdo para os gamers portugueses.
Em agosto, com conteúdo em espanhol para os hermanos da América Latina e da Espanha.
Não é por nada não, mas a EGW é uma tacada diferente de qualquer coisa que qualquer um já viu em termos de comunicação com o gamer.
Se você é louco por videogames, vai lá.
Se você é louco por cinema, novidades semana que vem.
Beijos e bom final de semana
André
GAMER.BR
21/05/2009 - 16:11
Entrevista da Semana: André Forastieri (EGW)
A Entrevista da Semana apresenta uma conversa franca com o jornalista André Forastieri, diretor editorial da editora Tambor. Nos últimos dias, ele foi o responsável por dois anúncios importantes no mercado nacional; O primeiro: o fim da revista EGM Brasil, que recém-completou sete anos de existência, e a substituição pela EGW. O segundo, a criação do portal de internet EGW (Entertainment Game World, que estreou hoje), dedicado ao consumidor não só brasileiro, mas também o ibero-americano. A conversa a seguir esclarece mais sobre as duas novidades e deixa mais clara a visão toda singular de Forastieri sobre a realidade nacional.
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Gamer.br: Trocando em miúdos, quais os diferenciais do portal EGW em relação ao portal Gameworld? André Forastieri: Na verdade, faz quase três anos que incorporamos o Gameworld no Heroi.com.br., que passou a ter um conteúdo maior de games. Mas sentimos que o internauta e os anunciantes exigiam de nós um portal dedicado aos games. Demoramos para lançá-lo mais do que queríamos.
Uma das razões foi porque durante muito tempo, o 1UP planejava uma expansão internacional, com os parceiros de cada país. Com a venda do 1UP e cancelamento da EGM nos Estados Unidos, ficou claro que era a hora de lançar uma nova marca que estivesse presente na web, em mídia impressa, em eventos, realmente multiplataforma. O natural foi EGW - Entertainment + Game World, que já nasce como revista, site e como única premiação de games do país.
Dito isso, o site tem um plano de implementação de um ano. A cada mês, novas ferramentas serão introduzidas. A revista também tem um plano de um ano. E o próximo evento vai ser um salto com relação ao deste ano - que já foi muito bacana.
Agora a EGM se chama EGW. Fora a mudança de nome, o que mais muda na revista, grosso modo?
Pensamos a revista e o site simultaneamente. De cara, 20% do conteúdo da revista passa a ser de assuntos do interesse do gamer, mas não sobre games - cinema, DVD, tecnologia. Vai ter mais brindes. Vai ter mais pôsteres. Vai ter surpresas diversas. Vai ter sempre links expandindo as matérias no site.A revista passa a ter “páginas infinitas” no portal. Teremos o maior e mais completo diretório de dicas, e centenas de reviews publicados desde a EGM nº 1, mais as melhores matérias especiais publicadas na história da revista.
É muito fácil fazer uma revista de games, principalmente através de licenciamento. Basta pagar o dono da marca no estrangeiro. Difícil é fazer uma revista boa, que dure anos, mantendo uma base de leitores fiéis, e garantindo aos anunciantes o retorno para o seu investimento. Nós conseguimos isso com a EGM, e no último período a revista já era 90% produzida por jornalistas brasileiros. A EGW é a evolução lógica dos sete anos da EGM.
O que representa para o mercado de revistas essa mudança da publicação, ao mesmo tempo em que é anunciada a chegada da Edge via editora Europa?
A Edge é uma revista inglesa muito boa, muito sofisticada, dedicada mais ao lado criativo e de negócios no mundo dos games. E tenho certeza que o Fábio Santana e o Gustavo Petró - velhos companheiros, que fizeram parte da equipe da EGM - farão um ótimo trabalho na sua adaptação para o Brasil.Acredito que a EGW e a Edge, juntas, são mais que suficientes para atender as necessidades do leitor que quer se informar sobre o universo de games como um todo. A aposta da EGW é em 100% do conteúdo produzido por brasileiros, para brasileiros. O da Edge, em traduzir ótimo conteúdo produzido na Inglaterra. Acho que talvez haja espaço para a Edge.
Mas dificilmente outro título generalista conseguirá espaço. A tendência é ficar uma ou duas de Nintendo, uma ou duas de Playstation, e haver uma depuração do mercado.Agora, a razão da Edge substituir a GameMaster é que a GameMaster nunca conseguiu enfrentar a EGM. A Europa não conseguiu ter a principal revista multiplataforma do país com a GameMaster, agora tenta com a Edge. Como não conseguiu ter a principal revista de Nintendo do país - a N-Gamer nunca chegou perto da Nintendo World.Por outro lado, a gente anos atrás desistiu da SuperDicas Playstation. Éramos a número dois do mercado, mas a Dicas e Truques Playstation nadava de braçada em publicidade. Ganhamos umas, perdemos outras…
Acho que a diferença entre a Tambor e a Europa ou a Digerati é que elas têm muitos negócios diferentes. Primeiro, nós somos muito focados em games, tecnologia, entretenimento digital. Todos os jornalistas trabalham numa redação só e eu junto. Segundo, nós somos muito focados em internet. Nossos sites falam com mais de dois milhões de gamers todo mês. No Brasil, ninguém chega perto.
Você acha que atualmente é preciso investir mais em produtos para a internet do que em produtos de papel? Ou seja, ainda compensa investir na mídia revista?
Revista custa muito mais para fazer, mas a receita é muito maior. E de fato dá uma credibilidade muito diferente. Porque passa pelo crivo dos leitores, que estão tirando dinheiro do bolso todo mês para comprar a revista, “votando com a carteira”. E porque passa pelo crivo dos anunciantes, que só continuam anunciando se a revista realmente der retorno.
Dito isso, temos que reaprender a fazer revistas a cada ano que passa. Não pense que estamos satisfeitos com nossas revistas, e mesmo com a EGW. A busca da atualização e da surpresa tem que ser permanente.Fizemos uma capa toda preta, homenageando o Black Album do Metallica, para a edição de aniversário da EGM. Foi uma ousadia (pra não dizer maluquice). A venda subiu 20%.
Eu acho que o melhor mix é “revista + digital”. Um ajuda o outro. Na verdade, todo mundo gosta de revista! O que ninguém gosta é de pagar por uma revista que só te oferece o que você já tem de graça na internet. Nem eu.
Quem é o consumidor de games hoje no Brasil? Para quem exatamente você faz suas revistas e sites?
Você, Pablo. …Se você achar que estamos fazendo direito, provavelmente estamos!
Não, depende. Assim: a Nintendo World é para nintendista. O Portal MSN, que fazemos para o MSN e atinge 1,6 milhão de gamers por mês, é muito aberto. A comunidade EGW continua a trajetória de sete anos da EGM, no sentido de fazer jornalismo sério sobre games.
Mas, em um certo sentido, vai no caminho inverso da Edge. Principalmente no portal, nosso objetivo é sermos mais abrangentes, atrair o hardcore gamer e o jogador adulto, pai de família; o teen, o molecão, o jogador de MMO, e o cara que nem quer saber tanto dos bastidores da indústria, mas não passa um dia sem jogar no seu PSP. Ah, e as mulheres também.
Inclusive, o portal EGW já nasce com a missão de atender também ao mercado português, e a partir de agosto, a todo o mercado latino-americano, com conteúdo em espanhol.Nossa missão é sermos “O primeiro portal de games da América Latina”. Ou seja, fazemos conteúdo de games para gamers de todos os tipos, idades, gostos e agora até de línguas diferentes!
No evento Troféu Gameworld, você afirmou que o Brasil é o país com maior possibilidade de crescimento da indústria de games em todo o mundo. De que depende esse crescimento, afinal? O que nos impede?
O Brasil é a décima maior economia do mundo. Temos uma população na maioria jovem, todo mundo fala a mesma língua, a maioria é urbana, não temos guerras civis, a economia está sofrendo menos que o resto do mundo. Somos o nono maior mercado de TI. Mas hoje o Brasil é 1 a 2% do negócio de games global. Isso não tem sentido.
Por isso, o crescimento do mercado formal será muito grande nos próximos anos, a despeito de todos os problemas habituais - impostos, preços altos etc. Vamos dobrar, triplicar, ano após anos.Acredito que vai crescer o modelo habitual - venda de hardware e caixinha de jogo em lojas especializadas e em grandes varejistas, online e offline - mas também vão crescer muito negócios que fogem ao beabá, como jogos cada vez mais sofisticados para celular, MMOs com modelos diferentes de receita, distribuição digital, eventos ligados a games e por aí vai.
Claro que quem se mexer mais vai levar vantagem. Se a Sony começa mesmo a fabricar jogos para PS3 em Manaus em 2010, leva vantagem. Se não, não.O grande portal tipo UOL ou Terra ou MSN que resolver investir sério para ter o maior share de MMOs levará vantagem. A agência de publicidade que ficar conhecida como a melhor em advergaming levará vantagem. O primeiro varejista online a oferecer compra de jogos via distribuição digital em reais e em parcelas levará vantagem. Por aí vai.
Eu editei minha primeira revista de games em 1994 e nunca estive tão otimista com nosso mercado quanto agora. Tenho certeza que o mercado brasileiro de games vai ser 10% do mercado mundial, em um prazo curto. Quer uma previsão? 2015. Me cobra pra ver se eu acertei daqui a seis anos!
Categoria
Tecnologia Publicado em: 22/05/2009 |
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