Aprendendo a escrever seu blog com o guru da tecnologia

http://scobleizer.com/

É um dos blogs mais influentes do setor de tecnologia, escrito pelo Robert Scoble.

O que ele faz certo?

Vejam este caso abaixo.

Detalhes interessantes:

- Uma coisa eu identifico fácil: o blog tem identidade.

Ele escreve de maneira coloquial, pessoal, se coloca nos textos. É um amigo falando sobre o assunto. Não escreve como um press release. Tem cara e coração.

E não faz post, faz artigos.

- Ele pegou uma informação (leu no TechMeme sobre novidades da JTC) e transformou num artigo com uma tese, começo, meio e fim.

O argumento dele é: não importa o smartphone, importa a) o software que ele contém e b) a aliança que ele tem com uma operadora. Como Microsoft e Nokia não têm sistemas operacionais novos e bacanudos, e não têm parceiros estratégicos entre as quatro grandes operadoras americanas, serão as perdedoras nos EUA.

- ele cita dois top blogs de tech, TechMeme e o do Walt Mossberg, que é o guru de business tech - tem coluna no Wall Street Journal faz anos. Aposto que eles vão retribuir a gentileza. O QUE PODEMOS APRENDER: cada blogueiro tem que ler os blogs da concorrência e citá-los sempre que necessário; mais que isso, é preciso ter relações pessoais com a concorrência. Aproveitem e visitem os dois blogs.

- frases curtas. Muitos pontos. Parágrafos curtíssimos. Entrelinhamento generoso.

- Muitas perguntas, que ele mesmo responde.

- fala diretamente com o leitor: “estou errado? Prove que estou.”

- o blog tem serviços, como por exemplo um Calendário de Eventos do segmento tech. 

- ele não fala de tecnologia de um ponto de vista superespecializado. Sabe do que está falando mas não usa termos obscuros, jargões etc.

- até dica de como fazer currículo ele dá!

- o Scoble tem uma coluna numa revista, a Fast Company, falando naturalmente de tecnologia. Dá respeitabilidade.

O que mais vocês perceberam que eu não? 

 

 

 

January 12th, 2009

Smartphone competition: It’s too late for Nokia and Microsoft, but not too late for Palm in USA

 

Everyone is still talking cell phones. Just visit TechMeme today and you’ll see lots of news from HTC, I’ve already seen some claims that it has a “Palm killer.” Hint: it’s not about the device, it’s about the software you put onto it. Haven’t we learned that yet? Remember when I told you two years ago that the iPhone is a better device than what Nokia had? Remember how many people argued with me? They were wrong. Just like they are wrong to say that Palm doesn’t have a shot here. Heck, when I saw Walt Mossberg last week, the Wall Street Journal’s top tech writer, he said Palm has a shot.

 

But, sorry, Nokia, Palm caught the last train out of town. They made it to the station 30 seconds before the doors closed.

 

You didn’t make it and there are no more trains for the USA market.

 

Why do I say that?

 

Because in the USA there are only these major carriers:

 

AT&T.

Verizon.

Sprint.

T-Mobile.

 

AT&T? Gone. Apple has them sewn up. Verizon? RIM has them sewn up. I met with RIM’s director of marketing at CES and he was smiling. That should give you a hint. Sprint? Palm has them in the Palm of their hands now. T-Mobile? Google’s Android is their key smart phone.

 

So, what does this mean? All the US carriers now have their SmartPhone choices. All the trains have left the station.

 

Who is out in this game? Microsoft and Nokia.

 

So, what do Microsoft and Nokia have to do to get back in the game?

 

Do something so unbelieveable that it causes everyone in the world to want one.

 

Hint: I have friends who’ve seen the new Microsoft OS. I’ve seen the new Nokia OS, just a month ago. They don’t have it. The game is afoot and Nokia and Microsoft are left at the station.

 

Am I wrong? Argue with me.

 

Please note that I’m only talking about the US market. Nokia and Microsoft will do just fine in other markets because their offerings are better for those markets (lower cost, or have stylus’s which are demanded in China, for instance, or have all-you-can-eat music subscription services which are demanded by Europeans). But in USA? Sorry Nokia and Microsoft, it’s going to be a tough year.

 

Oh, and Laptop Magazine has some good videos of the Palm Pre in action. I can’t wait to get one of these devices and compare it to my Nokias and my iPhone.

 

Tags: cell phone, Google, Microsoft, mobile, Nokia, palm

Filed under: technology @ 1:07 pm | Comments (16)

Uma proposta decente e uma turca indecente

Ari comenta o post sobre o site Bis. Diz que andou pesquisando ritmos populares, de sertanejo a funk carioca, forró, axé etc. Faz uma pergunta boa: com a famosa entrada das classes populares na internet brazuca, porque não tem ninguém faturando com um site sobre isso?

A resposta é: pode ter. Você, Ari.

Porque você não faz um blog bacana sobre isso, e uma coluna semanal sobre este assunto no Bis?

Você não ganha nada de dinheiro com isso. Todas as colaborações para o Bis serão Creative Commons, sem grana envolvida, e tudo que eu escrever lá, idem. Poste o que e onde quiser. Basta dar crédito e link.

Mas você vai ganhar moral e audiência. E crédito. E link pro teu próprio blog sobre o assunto (que você deveria divulgar no Orkut!). Onde você pode botar Google Adsense, vender anúncio, virar o grande guru do assunto e ser contratado para dar palestra por aí, sei lá.

Topas?

Quem mais topa? Vale a mesma proposta para sites / blogs de metal escandinavo, rock argentino, sobre a cena musical de Uberlândia, sobre trilhas sonoras de faroeste italiano etc.

Ah: Hatice é uma cantora tão gostosa quanto talentosa, muito popular na Turquia. Eu gostava dela mais antes dela operar o nariz, mas a voz e o estilão continuam os mesmos.

Você pode ouvir uma música recente e conferir as coxas dela aqui: 

http://www.youtube.com/watch?v=yr6riLFgxHA&feature=related.

O vestido pode não parecer muito ousado no Brasil, mas na Turquia a Hatice é o cúmulo da indecência. E a danada canta bem também.

Procurei agora e esta é a única biografia dela que encontrei na internet:

HATİCE ÇARPAR Bugünlerde müzik sektöründe Hatice Fırtınası esiyor..Ulusal ve yerel kanallarda sıkça gösterilen klibi ile , henüz genç yaşına rağmen usta yorumu ve çarpıcı fiziğiyle bütünleştirdiği özgün danslarıyla Hatice Çarpar izleyenlerin adeta kanını kaynatıyor. Yıllardır bildiğimiz türküleri Batı soundu ile birleştiren ancak söz ve müziğinde değişiklik yapmayarak yorumlayan Hatice Çarpar bu tarzda yapılmaya çalışılan yapımların arasından kısa sürede sıyrılarak zirveye doğru emin adımlarla ilerliyor.. 

Dilerseniz Hatice”yi kendi sözleriyle tanımaya çalışalım.. Selam Ben Hatice.. Ailem 1965 yılında İzmir”in Narlıdere İlçesine yerleşmiş. Bende 6 Aralık 1978 yılında burada doğdum. Üç erkek dört kız yedi kardeşiz. İzmir Belediyesi”nden emekli olan babamda müziğe meraklıymış, hatta bir ara yarım kalan bir de kaset doldurma girişiminde bulunmuş..İlk öğrenimimi Narlıdere İlkokulu”nda yaptım. Ne var ki daha sonra çeşitli nedenler yüzünden öğrenimime devam edemedim. Müziğe olan aşırı tutkumdan dolayı aile toplantılarında ve düğünlerde sıkça şarkı söylettirirlerdi bana..Ancak bunu bana para karşılığı yapmadım. Bir süre sonra ailemin geçimine yardımcı olmak için bir firmada sekreterlik yapmaya başladım. Bu arada müzikle birlikte dans etmeyi de çok seviyorum, hatta İzmir”de düzenlenen bir dans yarışmasında birinci oldum. 16 yaşındayken Narlıdere Belediyesi”nin düzenlediği Narlıdere Çiçek ve Kültür etkinliklerinde güzellik yarışmasında birinci oldum. Bu yarışmadan sonra mankenlik teklifleri gelmeye başladı. Fakat benim gönlümde yatan aslen müzik olduğu için bu teklifleri kabul etmedim. 

1995 yılında İstanbul”a geldim ve İner misin Çıkar mısın adlı yarışmada müzik dalında iki kez birinci oldum..Bu birincilikler benim kendime olan güvenimi artırmaya başlamıştı. ATV Televizyonunun bana yapmış olduğu teklifle Çürük Elma adlı yarışma programının sunuculuğu için yapılan elemelerden 70 kişinin arasında birinci oldum ve programın sunucusu seçildim. Müziğe olan ilgimin daha ağır basmasıyla 1996 yılında Eyüp Musiki Cemiyeti”ne kayıt oldum ve Nejat Yertut”tan ders aldım. Kursa 1998 Ekim ayına kadar devam ettim Daha sonra bir süre Arif Sağ Müzik Okulu”na devam ettim Amacım müzikte kalıcı olabilmek ve çok sevdiğim aileme yardımcı olabilmek. 

E aí, alguém se habilita a fazer uma coluna de pop árabe no Bis?

 

 

 

André

Bye Bye Blender, welcome Bis

Chegou a última edição da Blender, minha revista de música favorita. Fechou, com quase um milhão de exemplares de circulação. Não foi suficiente para atrair publicidade, nestes novos e desafiadores tempos.

Era uma revista pop sobre astros pop, divertida, sem vergonha de ser sacana e de não ser cool. Era para leitores não-expecialistas. E muitíssimo bem escrita e editada. Prova é que o editor da revista foi transferido para a Maxim, do mesmo grupo, que igualmente dá show de edição.

O site está na ativa e contém boa parte do arquivo da revista.  A ação no século 21 está online. 

A Blender é uma das referências para minha segunda aventura no mundo da música - o site Bis. Ele será uma combinação de blog pessoal e portal comunitário, aberto a colaborações de todas as pessoas e todos os tipos - canções, fotos, vídeos, animações, textos - sobre música de todos os gêneros.

O Bis terá textos apaixonados sobre artistas que desprezo e gêneros que ignoro. Quem sabe, textos seus. Também pode mandar uma HQ sobre Buddy Holly, um desenho animado sobre Jackson do Pandeiro ou um perfil de Fleet Foxes que teremos todo prazer em publicar. O filtro é a qualidade da colaboração, não minha opinião sobre a qualidade destes ou daquele artista. Ele será atualizado diariamente por mim e pela Isabel Marcondes.

Bis será extremamente autoral, portanto. Inclusive porque conterá também minha opinião escancarada e minhas sugestões, espero que surpreendentes. É parte da curtição para mim apresentar Free para fãs de Kings of Leon e Hatice para fãs de Amy Winehouse.  

Outra parte da diversão é que o Bis estará abrigado no portal MTV.com.br. Tem muita coisa interessante acontecendo lá, tem muita gente boa blogando  lá (Kid Vinil! Eduardo Suplicy!) e principalmente, tem muita gente lá. Já que é para voltar a mexer com música, quero fazer uma coisa que dialogue com bastante gente. Com a minha turma e com gente que tem idade para ser meu filho - ou neto? Então, fiquei bem feliz com o convite da turma da MTV.

Isso é uma coisa muito legal também porque as colaborações de quem quiser participar serão vistas por muita, muita gente. Imodestamente, espero que seja um espaço para a revelação e desenvolvimento de novos talentos na música, na fotografia, no vídeo, no texto, e porque não, no jornalismo.

Andei reclamando neste blog sobre a pobreza do nosso jornalismo cultural, off e online. Em vez de ficar só tacando pedra, resolvi fazer algo positivo. Vamos ver no que dá. 

Um dia desta semana, estréia. Aviso. Se você quer ver o beta, cheio de paus (tá horrível no Safari), está aqui: www.bis.blog.br.

E antes que me perguntem porque Bis:

Porque é para quem merece.

Porque é minha segunda vez.

E em homenagem aos velhos tempos, claro…

O futuro (dos games) está escrito

Se você quer saber qual o futuro do cinema, jogue Metal Gear Solid 4.

Se você quer saber qual o futuro da música, jogue Guitar Hero: Metallica.

Se você quer saber qual o futuro das comunidades online, jogue Little Big Planet.

Se você quer saber qual o mercado com mais potencial de crescimento para a indústria dos games nos próximos anos, é o Brasil.

Porque tem uma população jovem enorme, urbana, novidadeira, e escapamos do pior da crise. E porque estamos muito longe de onde poderíamos estar.

Não é à toa que executivos de diversas partes do mundo estão vindo para São Paulo exclusivamente para participar, nesta terça-feira, da entrega do 5º Troféu Gameworld. São profissionais de empresas como Microsoft, Hudson e Konami.

Gameworld é o único prêmio brasileiro para a indústria de videogames. A Tambor, onde trabalho, promove o evento. A cerimônia vai ser de gala. No Teatro Imprensa. Patrocínio de Nintendo, Microsoft, Hudson, NVidia, NCGames. Toda a indústria de games estará lá e alguns felizardos gamers convidados. Com apresentação do Miranda. E muitas surpresas interessantes.

Milhares de gamers votam online nas melhores categorias de todos os gêneros e consoles - PS2, PS3, PSP, Wii, DS, Xbox, PC, e cada vez mais importante, celular. Tem prêmio B2B, para varejistas, desenvolvedores, operadora de celular. Tem categoria de todo tipo. Porque o universo dos games está cada vez mais completo e sofisticado.

Há muito, muito o que fazer. Mas a cada ano, nosso mercado avança aos saltos. Editei minha primeira revista de games em 1994,  sites desde 2000, e sei que avançamos mais nos últimos três anos que em toda a década anterior.

Temos Microsoft, Nintendo e agora Sony atuando com força no Brasil. Temos a explosão da base instalada de PCs e expansão da banda larga. Temos a transformação do celular na maior plataforma de jogos. Temos varejistas especializados e gigantes entrando forte. Temos campeonatos de todos os tipos pipocando pelo país.  Temos a entrada de milhões de jogadores casuais no mercado. Temos uma mídia que sabe do que está falando, com cobertura caprichada em grandes veículos, boas revistas segmentadas, e centenas de sites e blogs atendendo todo tipo de comunidade gamer.

Em 2007, quando a coisa era bem diferente, fui numa das maiores empresas de comunicação do Brasil e contei uma história.

Expliquei o que eu achei que estava para acontecer. Que o negócio dos games ia explodir e ia atingir todo o universo da comunicação, da internet e do entretenimento. E que uma empresa gigante tinha condições de fazer muitas coisas que eu não; e que a entrada com força de uma empresa gigante podia acelerar a evolução do nosso mercado; e que a empresa grande que chegasse primeiro, levava grande vantagem.

Além da história, levei números de montão, claro.

Gentilmente me explicaram que sim, isso era tudo verdade, mas que o negócio de games era muito pequeno para eles. Lá para 2010 sim, os videogames teriam porte para merecer um investimento maior de tempo e dinheiro.

Eu disse que em 2010 seria tarde. Outros players já teriam se movido e a oportunidade teria passado. Tem que plantar na hora certa para colher os frutos. 2009 chegou e nenhuma grande empresa de comunicação do Brasil investiu no mercado de games. Pior para elas.

O ser humano gosta de jogar e de contar histórias. A nova geração de games faz as duas coisas ao mesmo tempo, e mais.

Os filmes e desenhos e seriados e novelas e comunidades digitais do futuro próximo vão incorporar jogabilidade. Sua televisão/computador, meu amigo, terá tela fina e enorme, sensível ao toque, media center parrudo e banda larga já de fábrica, e um controle remoto parecido com o do Wii. Em 2010 chegam as primeiras.

As empresas que conhecem profundamente os games estão numa posição privilegiada para impactar a próxima era da comunicação. Não precisa ser gênio para ver isso. Mas trabalhar com videogames desde 1994 ajuda.

O futuro está escrito. A melhor maneira de prevê-lo é criá-lo. Vamos?

A regra dos quinze

Meu pai criou: se o filme não embala em quinze minutos, pare de assistir.

Amplio para livros, 15 páginas, e canções, 15 segundos.

Tem muita coisa boa aí fora. Não dá para desperdiçar tempo com chatice. A vida é curta.

“Não gosto de música”

Para não deixar dúvida: não, nunca ouvi um disco de Caetano Veloso. Não me interessei. Mas posso ouvir o próximo, se, por exemplo, o produtor for Rick Rubin.

Da mesma maneira, eu nunca tinha lido o blog dele, porque nunca tive razão para isso. Li ontem. É tudo muito comprido. Mas vira e mexe, muito engraçado. 

Discordo dele em várias coisas. Por exemplo, eu gosto de ouvir música. O título deste meu post é tirado de um texto de Caetano. 

Mas, vejam só, não sou xiita. Tanto que assumo: concordo com Caetano em muitas coisas. Só neste trechinho abaixo são cinco. Também abomino música em restaurante e na praia. Também sou louco por Ella Fitzgerald e admiro o Rennó. E também adoro ouvir meu filho cantar: Tomás berra “Spiderman” igualzinho a Joey Ramone.

 

 

Caetano Veloso, no blog Obra em Progresso:

“Não gosto de música. Parar para ouvir música é intimamente constrangedor. Quando eu tinha 18, 23, 37 anos, não era. Foi ficando. Adoro a observação de Millôr Fernandes: “a música é a única arte que te pega pelas costas”. Acho o volume dos shows todos muito altos no Brasil. E as bandas na Bahia fazem permanente barulho. Tenho horror a som na praia. Isso devia ser proibido. Acho um crime que haja barracas de alvenaria na areia. Mas o pior é que eles tocam música. Tenho ódio de axé, pagode, rock, pop, samba e MPB na praia. Praia é para se ouvir o barulho das ondas. E mesmo longe das praias, às vezes me sinto feliz num restaurante: depois de algum tempo percebo que a razão é não haver música ambiente. Chico Buarque disse tudo: se é ruim, me irrita, se é boa me atrai e rouba minha atenção à conversa, à comida, a tudo. A coisa que mais gostei de ouvir nos últimos tempos foi Moreno cantando a versão de Carlos Rennó para “How Deep Is The Ocean”. Posso ouvir mil vezes, como ouvia Ella, Billie, João, Maysa ou Sylvia Telles. Estou tentando me reeducar para ouvir música. Meus tempos livres se preenchem automaticamente coma leituras. Ouvir música… Vou me reeducar para isso.“

O velho truque do último disco que presta de Caetano

É tiro e queda. Só malhar uma figura que tem fãs fanáticos, que o negócio fica animado. A culpa é dos idólatras, não do ídolo. Não toda, pelo menos. Perdôo essa submissão automática em gente com menos de 15 anos - com dificuldade.

Dei uma tundinha em Radiohead e Los Hermanos. Montes de comentários contra, e, surpresa, pró meu texto. O tratamento que eles recebem habitualmente da nossa imprensa dava a entender que 100% dos brasileiros pensantes ajoelhava nesses altares. Folgo em saber que não.

O barulho me fez lembrar de um truque barato que uma vez usei para animar uma festinha meio borocoxô, dessas em apartamento, que você vai pegar a cerveja 600 ml morninha na geladeira. Acho que não se faz mais, ou não me convidam.

Rodinha batendo papo, os consensos habituais se formavam, soltei: “a questão não é gostar ou não do Caetano Veloso. O ponto é que faz 18 anos que ele não faz um bom disco.”

Um reclamou: “mas e o Fina Estampa”?

Eu “não vale, é de cover. O cara é compositor, não intérprete.”

“E o Velô?”

“É bom mesmo? Se for bom, você lembra de cinco faixas.”

“Estrangeiro era demais.”

“Três faixas que seja, por favor.”

E por aí ia, eu apontando objeções, mudando datas de lançamento, falando que aquela faixa na verdade era de outro disco e tal. Falei 18 anos, podia ser 12 ou 20. Como eu era  suposto entendedor de música, inventava e o povo comprava.

Em dez minutos já estava uma discussão acalorada. Tinha neguinho contrastando “Alegria, Alegria” com “Leãozinho”, outro comparando com a fase mais recente do Chico Buarque, legal mesmo é Paulinho da Viola, adoro a voz mas o cara se acha etc. Missão cumprida.

Repeti e variei outras vezes, com outros personagens que são ou eram consenso. Pode ser cantor, pintor, político, santo.

O resultado foi parecido. Mesmo fãs fundamentalistas - como costumavam ser os de Caetano e são hoje os de Radiohead e Los Hermanos - são permeáveis à visão crítica, se posta na roda com jeito. Ou com vaselina.

Claro que às vezes a gente está a fim de botar com areia mesmo.

Eu nunca ouvi um disco do Radiohead ou de Los Hermanos

Ouvi, inevitável, por aí. Vi clipes. Li techos de entrevistas.

Já tenho opinião sobre eles. Ela é: a única coisa que me interessou foram seus primeiros hits, “Creep” e “Ana Júlia”, hoje renegados pelas bandas.

É possível que existam pérolas incríveis perdidas pelos seus álbuns. Não vou procurá-las. A vida é curta. Você já ouviu Fred Astaire cantando “Let’s Call the Whole Thing Off”?

Tenho amigos que gostam dos grupos. Tentam me convencer que eu não devia perder esse festival em que Radiohead e Los Hermanos se apresentarão. Tobrigado.

O fato de ambas as bandas terem fãs apaixonados não quer dizer nada para mim. Tá cheio de gente por aí que é fã do papa Bento 16. Eu não vou gastar meus ouvidos com os sermões de Herr Ratzinger por causa disso, ou procurar sabedoria nas entrelinhas de suas epístolas.

Não me atrai o rock progressivo abrasivo do Radiohead, nem o estilo camundongo epilético de Thom Yorke. A estratégia de botar o álbum na faixa na internet, pague quem quiser e quanto quiser, foi isso: estratégia. E boa. Mas só. 

Descobrir que eles exigiram trocar copos de plástico por recicláveis (“feitos à base de coco, são até comestíveis”, explicou a responsável pelo bufê) no backstage do show de hoje no Rio, para “reduzir o impacto ambiental” da apresentação, só aumenta minha implicância. Quantos milhares de copos de plástico serão utilizados pela platéia? 

Quanto aos barbudinhos, que dizer? Los Hermanos faz MPB supostamente intelectualizada, para universitários ensimesmados, sem alegria, humor ou hormônios, mal composta, cantada e tocada.

“Ana Júlia”, a “Camila” deles, traz a assinatura do produtor e mestre hitmaker Rick Bonadio, o que talvez explique a exceção. Bonadio depois chamaria os caras de “playboys da Barra da Tijuca”, o que talvez explique o visual desleixado/planejado.

É a banda menos rock’n'roll que eu consigo imaginar. Se bem que Marcelo Camelo, 30, voltou outro dia ao noticiário por namorar Mallu Magalhães, 16. Assumir o lado papa-feto até que é bem rocker da parte dele. 

As entrevistas dos Hermanos são de cair para trás. Eles se posicionam infalivelmente do lado errado. Às vezes o tiro sai pela culatra.

Marcelo Camelo uma vez criticou em entrevista o Charlie Brown Jr. por participar de propagandas de refrigerante. Chorão encontrou o cara num aeroporto, chamou Los Hermanos na chincha, xingou, socou o nariz de Camelo. Pediu desculpas depois, por escrito. Camelo processou, pediu indenização por “danos morais e ressarcimento de compromissos cancelados”, Chorão teve que pagar uma grana. Hei, Marcelo, resolver tretas pessoais na justiça é feio. A vida tem consequências. Sabia?

Os robôs que tocarão os teclados de “Robots” no show do Kraftwerk têm mais sangue nas veias que Los Hermanos.

O mundo é um holograma

Talvez seja a mais importante descoberta da física das últimas décadas. A equipe do experimento GEO 600, um gigantesco detetor de ondas gravitacionais, instalado em Hanover, na Alemanha, bateu no limite do espaço-tempo.

Segundo Craig Hogan, um cientista do laboratório de física de partículas Fermilab, existe um ponto em que o espaço tempo para de se comportar como o continuum descrevido por Einstein e se dissolve em grãos - mais ou menos como uma fotografia vira um monte de pontos, se você der um super zoom. O GEO 600 está captando esses grãos. “Suspeito que estamos vivendo dentro de um holograma gigante”, disse Hogan. Para ele, e outros crânios, nossa experiência cotidiana de estarmos vivos pode ser a projeção holográfica de um processo físico acontecendo em algum lugar distante, uma superfície 2D nos confins do universo.

E juro que não estou inventando isso. Li na New Scientist.

Bom dia: dance e ria

“Devemos considerar cada dia em que não dançamos pelo menos uma vez, um dia perdido. E toda verdade que não vem acompanhada  de pelo menos uma risada, falsa.”

Friedrich Nietzsche


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