O que faltou no negócio Marvel X Disney
Disney e Marvel parecem empresas complementares, comparando o perfil dos personagens. A Disney reina no mercado infantil e manda bem com as teenagers nos Camp Rock da vida. A Marvel pega os moleques no jardim da infância e segura muitos pelo resto da vida.
Está certo que a maioria dos principais personagens Marvel já têm contratos com outros estúdios de cinema. A Disney vai fazer filme e desenho de quem? Do Shang-Chi?
Mas em termos editoriais, de merchandising e licenciamento, a coisa parece que casa bem. A melhor análise deste negócio, segmento por segmento, é do site especializado ICV2, aqui.
No Brasil, pode acontecer uma coisa engraçada. Porque se a Panini tem os direitos de publicar Marvel aqui faz vários anos (como acontece em muitos outros lugares do mundo; a Panini foi parte do grupo Marvel no passado), a Abril tem os direitos de publicar Disney desde sempre. Seria divertido se os direitos voltassem para a Abril. Porque anos atrás a Abril abriu mão da Marvel, garantindo que não existia mais mercado para HQ de super-herói em bancas. Hoje as bancas estão atulhadas de gibis da Panini, prova de viabilidade dos heróis.
Lá na gringa, o choque de culturas vem e vem forte. Ike Perlmutter é osso duro de roer. O cara passou de fabricante de brinquedos (Toy Biz) a presidente e maior acionista da Marvel a segundo maior acionista da Disney. Não é pouca coisa. E o estilo Sopranos de Joe Quesada, editor chefe da Marvel, não orna com o jeito família da Disney.
Mas com choque maior ou menor, no final elas se integrarão muito bem. Porque no fundo são a mesma coisa: duas empresas americanésimas que conquistaram o mundo com personagens de apelo universal. A Marvel sempre foi meio vira-lata, apesar de ter a maior fatia do mercado americano de quadrinhos faz muito tempo. A Disney tem pedigree desde Branca de Neve.
Agora: não é um negócio que demonstre lá muita visão estratégica. Porque o jogo daqui para a frente é cada vez mais digital. E nenhuma das duas é lá grande coisa na internet ou no mundo mobile ou no mundo dos games, com uma exceção (e tanto): o Club Penguim. Cadê o mega MMO da Guerra Civil? Cadê a rede social dos Jonas Brothers?
A Disney devia ter comprado é a Nintendo (ou se associado; empresa japonesa deste porte não se vende). Porque a Nintendo é meio que uma mistura da Disney com a Apple.
Tecnologia integrada em três níveis - hardware, software e serviços -, absolutamente focada na experiência do usuário, tudo a serviço de histórias interativas com personagens carismáticos.
Alternativamente, a Marvel devia comprar a Blizzard. Porque ninguém entende mais de fazer universos ficcionais interativos renderem dinheiro do que a criadora do World of Warcraft.
Mas isso é faz-de-conta. Reais mesmo são o Mickey, o Wall-E, o Capitão América e o Doutor Destino.
Da minha parte, vou continuar fazendo o que sempre fiz: lendo gibis da Marvel e assistindo desenhos da Disney.

