O que faltou no negócio Marvel X Disney

Disney e Marvel parecem empresas complementares, comparando o perfil dos personagens. A Disney reina no mercado infantil e manda bem com as teenagers nos Camp Rock da vida. A Marvel pega os moleques no jardim da infância e segura muitos pelo resto da vida.

Está certo que a maioria dos principais personagens Marvel já têm contratos com outros estúdios de cinema.  A Disney vai fazer filme e desenho de quem? Do Shang-Chi? 

Mas em termos editoriais, de merchandising e licenciamento, a coisa parece que casa bem. A melhor análise deste negócio, segmento por segmento, é do site especializado ICV2, aqui. 

No Brasil, pode acontecer uma coisa engraçada. Porque se a Panini tem os direitos de publicar Marvel aqui faz vários anos (como acontece em muitos outros lugares do mundo; a Panini foi parte do grupo Marvel no passado), a Abril tem os direitos de publicar Disney desde sempre. Seria divertido se os direitos voltassem para a Abril. Porque anos atrás a Abril abriu mão da Marvel, garantindo que não existia mais mercado para HQ de super-herói em bancas. Hoje as bancas estão atulhadas de gibis da Panini, prova de viabilidade dos heróis.

Lá na gringa, o choque de culturas vem e vem forte. Ike Perlmutter é osso duro de roer. O cara passou de fabricante de brinquedos (Toy Biz) a presidente e maior acionista da Marvel a segundo maior acionista da Disney. Não é pouca coisa. E o estilo Sopranos de Joe Quesada, editor chefe da Marvel, não orna com o jeito família da Disney.

Mas com choque maior ou menor, no final elas se integrarão muito bem. Porque no fundo são a mesma coisa: duas empresas americanésimas que conquistaram o mundo com personagens de apelo universal. A Marvel sempre foi meio vira-lata, apesar de ter a maior fatia do mercado americano de quadrinhos faz muito tempo. A Disney tem pedigree desde Branca de Neve.

Agora: não é um negócio que demonstre lá muita visão estratégica. Porque o jogo daqui para a frente é cada vez mais digital. E nenhuma das duas é lá grande coisa na internet ou no mundo mobile ou no mundo dos games, com uma exceção (e tanto): o Club Penguim. Cadê o mega MMO da Guerra Civil? Cadê a rede social dos Jonas Brothers? 

A Disney devia ter comprado é a Nintendo (ou se associado; empresa japonesa deste porte não se vende). Porque a Nintendo é meio que uma mistura da Disney com a Apple.

Tecnologia integrada em três níveis - hardware, software e serviços -, absolutamente focada na experiência do usuário, tudo a serviço de histórias interativas com personagens carismáticos.

Alternativamente, a Marvel devia comprar a Blizzard. Porque ninguém entende mais de fazer universos ficcionais interativos renderem dinheiro do que a criadora do World of Warcraft.

Mas isso é faz-de-conta. Reais mesmo são o Mickey, o Wall-E, o Capitão América e o Doutor Destino. 

Da minha parte, vou continuar fazendo o que sempre fiz: lendo gibis da Marvel e assistindo desenhos da Disney.

Eu quero ser o publicitário do Lula

Você sabe quanto o governo federal gastou na última temporada com publicidade? R$ 1,56 bilhões. 

O levantamento inédito do Meio & Mensagem soma contas da administração direta e indireta, incluindo 44 licitações concluídas desde 2004. Surpresa: 82% da grana fica concentrado em quinze empresas.

As cinco primeiras são Artplan, Master, Propeg, Quê e NovaS/B. Que não são tão conhecidas do público em geral. Outras conhecidas, tipo DM9, DPZ, Giovanni, McCann etc. estão na lista, mas pegaram só umas rebarbinhas de verba.  E algumas agências famosas têm, como princípio, não atender contas públicas, como a W/, AlmapBBDO, Neogama/BBH e Talent.

Achei que você gostaria de ter essas informações.

Agora, quanto eu acho que deveria ser a verba de publicidade do governo federal: zero reais.

Vale  para governos estaduais e municipais também.

Rádio e TV são concessões públicas. Não há razão para pagar anúncio.

Revistas e jornais já são beneficiados por isenções de impostos, pelas suas características “culturais”, da mesma maneira que os livros. Igualmente não há razão para pagar anúncio.

Outdoor? Com tanta via pública e beira de estrada pertencente ao governo? 

E na internet, bem, nem precisa falar.

Tem um pequeno problema nesse meu plano. Que é: cortando essa verba toda de publicidade governamental, muitas empresas de comunicação vão sofrer. Quiçá quebrar. Por isso, meu projeto causará grande desemprego não só no meio publicitário, mas entre os jornalistas também. Peço perdão aos colegas, mas alguém tem que pagar o pato.

Uns meses atrás, meus velhos colegas de Folha, os Fernandos Rodrigues e Barros e Silva, deram uma bela cutucada no governo federal e popularizaram o termo “bolsa-mídia”. A reportagem de Fernando Rodrigues explicava como o governo “adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%.”

Eu por princípio acho pulverizar sensacional. Porque os grandes veículos já são fortes demais. E porque estão todos do mesmo lado defendendo as mesmas coisas com o mesmo discurso. Tem que dar grana para quem não tem e para quem está falando coisas diferentes. Diversidade é riqueza.

Meus camaradas acharam ruim e têm boas razões. A principal: muitos desses veículos menores são de propriedade de, adivinha, deputados, prefeitos etc.

Essa pulverização da verba é uma maneira de enfraquecer os grandes grupos de comunicação? Sem dúvida. De influenciar politicamente? Sem dúvida. É ilegal? Não. É imoral? Você decide.

Mas você há de concordar que nunca foi do interesse de Lula ou do PT que a opinião pública nacional permanecesse tão dependente da Globo, Folha, Estadão e Abril. São empresas que jamais esconderam suas simpatias e antipatias. Não é burro, nosso presidente.

Lembro bem de um encontro fatídico em Brasília entre a Secretaria de Comunicação e representantes da ANJ, Abert e Aner - as associações de donos de jornais, de TV aberta e de revistas. Foi logo depois da primeira eleição de Lula. Na época eu participava da Aner, representando a Conrad.
No encontro, foi comunicado que assim como a liberdade de expressão era absoluta, também era absoluta a liberdade do governo colocar publicidade onde  bem entendesse. Vida simples: bateu, levou. Ouvi que os petistas, então recém-chegados ao poder, agora estavam se vingando, dando o troco e tal. Estavam, ué.
Mas mais que isso: estavam usando o dinheiro público para influenciar a opinião pública. Que é o que todo governo faz. E que é uma pouca vergonha. Claro que todo governo quer vender seu peixe, mas não com a minha grana, meu chapa.
Eu não sou contra o “bolsa mídia”. Eu sou por outra campanha: “Publicidade Zero”. 
Muito bem: o governo tem como veicular suas campanhas todas sem gastar um centavo com mídia. Mas tem a questão da criação das campanhas. Alguém tem que produzir as peças. Isso custa, certo?
Bem, para mostrar aquele Brasil sorridente e interracial, gente que faz e faz sorrindo, e assinar “Um País de Todos”, não precisa gastar muito. Eu faço. Convoco uns amigos aí do ramo e acho que bolamos umas campanhas tão boas (ou tão medianas) quando as que costumamos ver por aí.

Eu não sou publicitário, mas me disponho a fazer o serviço na faixa. Coisa que publicitário nenhum faria. Só jornalista para ter uma idéia dessas: trabalhar de graça.

Minha condição é que o dinheiro que iria para publicidade vá para uma coisa útil. Tipo, sei lá, torrar em sorvete para a criançada. Ou botar esgoto e água limpa nas cidades de maior índice de mortalidade infantil do país. Algo que pareça necessário ou pelo menos divertido. Duas coisas que os anúncios dos governos nunca são.

Você tem um bom destino para essa grana toda?  Me mande sua sugestão. A melhor ganha um livro da minha biblioteca. Escolho um hoje e conto qual é amanhã. Que tal?

Veja, para mim não é nenhuma alegria me candidatar ao cargo de publicitário-mor do governo. Eu nunca quis trabalhar para qualquer governo. Muito menos trabalhar falando bem de político.

Hay gobierno, soy contra. É da minha natureza: sou otimista mas espírito de porco. Se o diabo pisca um olho e a Marina Silva se elege, vou baixar o sarrafo nela também. E começo cutucando já: quando expulsarás o Zequinha Sarney do PV, darling? Dize-me com quem andas e te direi quem és.

Mas enfim, tamos aí. Se for para dar destino mais nobre para esses bilhões todos, fico feliz de fazer a minha parte. Lula, eu quero ser o seu publicitário!

O fim do jornalismo e o começo de uma coisa melhor, segunda parte

Não paro de matutar sobre jornalismo. Para onde foi, para onde vai.

Até porque estou, estamos aqui repensando este blog. Para que ele vire outra coisa, melhor.

A Juliana Zorzato e a Renata Delabio, amigas e colegas de Tambor, e o parceiro Marcelo Soares, do Dicas de um Fuçador, da Abraji e da MTV, são o “estamos aqui repensando.”.

Mas é evidente que a coisa mais eficiente a fazer era envolver todo mundo. Crowdsourcing significa: todo mundo trabalhando de graça! Em prol de algo melhor, claro. Nesse caso, um blog mais interessante.

Meu modesto postzinho sobre o “o fim do jornalismo e o começo de uma coisa melhor” deu em trinta comentários. De alta densidade. O melhor, embora talvez não tão útil, foi “manda o ataúde que os pregos tão aqui.” Do Marcelo Almeida, naturalmente.

O Luciano e o brother Aran foram simples: “a saída é contarmos boas histórias.”

Hmm, acho que não.

Veja bem, eu acredito no poder das histórias.

Mas discordo do amigo. Que é muito bom de histórias, tanto que vive contando umas histórias para as mulheres mais gostosas do Brasil tirarem a roupa para a Playboy.

E aliás estou lendo o novo livro de ficção do Aran, “Delacroix Escapa das Chamas”. Que eu descreveria como uma trombada entre Philip K. Dick e Ivan Lessa. Mas Ivan Lessa já citou Philip K. Dick na orelha do livro, então eu diria que é uma mistura muito brasileira de Fogueira das Vaidades com Alfred Bester.

Se isso não te dá vontade de conferir o livro, não sei mais o que fazer.

Pois então. Acho que daqui para frente, jornalismo tem muitas vias, e contar histórias é um monólogo. Eu conto, vocês ouvem. Acho que funcionará cada vez menos, como jornalismo. O povo quer palpitar.

Este meu post sobre o Nichepaper era modestíssimo, um textinho recomendando um link.

Ficou muitíssimo mais completo com trinta comentários.

Agora repico, o que vai gerar outros tantos.

E vai ficar pairando na internet para sempre, com resultados que descobrirei daqui a minutos e décadas.

Outro ponto importante é o de sempre: follow the money.

De onde vem a grana para sustentar cada veículo, cada profissional? Uma coisa é o cardiologista que por hobby escreve num site sobre vinho. Outro é o jornalista, editor, analista, repórter profissionais, que pretendem viver disso.

A questão do micronicho, do microjornal, do site segmentado, da comunidade orgânica é chave porque daqui para frente, é assim que funcionará a publicidade, via mecanismo de busca. Funciona melhor que qualquer outra coisa para gerar vendas. Dá pra medir. Dá para experimentar.

Os jornais estão indo para o saco nos países mais ricos porque os classificados foram absolutamente destruídos pelos classificados online e pelo Google. Esta é a razão mais importante, tão importante que as outras, francamente, não importam.

E não há boas histórias que mudem esse destino.

Se você tem uma comunidade de adoradores de vinho, os mecanismos de busca vão encontrar você e sua turma e vão te oferecer produtos cada vez mais relevantes. É melhor retorno sobre o investimento do que qualquer outra ação de marketing.

As agências de publicidade sabem disso e os melhores publicitários estão em justificado pânico. Algumas correm para se adaptar aos novos tempos. Muitas morrerão, abraçadas aos velhos veículos e aos velhos formatos.

Claro que as supermegamarcas de comunicação não vão afundar amanhã. Ainda mais no Brasil, onde grandes veículos e grandes agências vivem em simbiose.

Pode contar com a permanência da Veja, Estadão, SBT etc.

Mas o fato é que as forças econômicas estão do lado do nicho.

Até porque as pessoas confiam cada vez mais nos nichos.

O que de alguma maneira enfraquece as megamarcas.

Quando Globo e Record se digladiam, o grande público percebe que as grandes empresas de comunicação têm lado.

Isso é ótimo.

Entender isso profundamente muda nossa percepção dos acontecimentos.

Quanto mais gente entender que as empresas de comunicação defendem seus interesses, melhor. Aliás, sites e blogueiros e gente que coloca comentários nos blogs dos outros, também.

Quanto mais alternativas tivermos para a gente se informar e se divertir, mais confusão e mais riqueza. E quanto mais boas histórias circulando, mais encantador se torna o mundo. 

A política é a continuação da guerra dos negócios na esfera institucional. A opinião pública é um campo de batalha importante. A imprensa é uma arma.

Sempre foi assim e continuará sendo por muito tempo. Mas cada vez com menos concentração.

O financiamento de veículos de comunicação via mecanismos de busca é um vetor fundamental dessa mudança. A explosão dos veículos de Micronicho é inevitável e desejável.

Nem vou dizer que aposto nisso, porque não é preciso apostar.

Não é o futuro, é o presente.

O fim do jornalismo e o começo de uma outra coisa melhor

Tem muitas explicações porque a imprensa está indo para a lama no mundo inteiro, com jornais fechando, revistas demitindo, tevês fazendo água etc.

Eu adicionaria: muitos big portais já estão no mesmo caminho.

Umair Haque tem uma boa: nós jornalistas estamos fazendo um trabalho muito ruim. 

Está lá no seu Nichepaper Manifesto.

É leitura obrigatória.

Convergência promete fortes emoções

O meio digital demole barreiras entre computador, celular, televisor,

videogame. E entre produtores e consumidores de conteúdo. As tevês pagas

são intermediárias entre as duas pontas. Como todos nesta posição,

precisam se reinventar ou morrer. É fútil lutar contra o progresso.

Vai haver quem baixará tudo de graça? Sim. Mas a natureza fez de nós

bichos preguiçosos e covardes. Prezamos acima de tudo a conveniência e a

segurança, como prova o Disk-Pizza.

Já é perfeitamente viável para a CBF ou a Liga das Escolas de Samba

transmitir diretamente o campeonato brasileiro e o desfile de Carnaval.

Sem envolver nenhum emissora de tevê.

A tecnologia é trivial. O custo aceitável, ainda mais ficando com 100%

do valor dos patrocínios. Para que dividir com um intermediário?

O conteúdo quer ser grátis e bancado por publicidade. Não é o único

modelo. Mas venceu na TV aberta, rádio e internet. Se você quer saber

como será a TV do futuro, visite o YouTube.

O cenário: durante o episódio da novela, um sistema de busca esquadrinha

o conteúdo em vídeo e oferece: gostou do brinco da Cristiane Torloni?

Clique aqui para comprar. Gostou do filme dos Transformers? Clique aqui

para comprar o boneco, a lancheira, para jogar o game online. Está vendo

o Gugu domingo à noite? Clique e peça uma pizza já.

E, claro: quer desativar os pop-ups de Links Patrocinados? A versão

premium custa só R$ 29,90 por mês.

Este sistema não é o ideal para todo tipo de conteúdo. Não é a cara do

Discovery Channel, tevê educativa ou filmes clássicos. Mas pago feliz R$

4,99 às 22h31 de uma quarta-feira para comprar “Ladrões de Bicicleta” em

três cliques (em Full HD com extras mil). Mesmo sabendo que em 15

minutos podia baixar tudo pirata. Não quero chateação nem encrenca. Só

quero ver meu filme e jantar sossegado.

É pouco R$ 4,99? Qual a justificativa para cobrar o mesmo preço por um

filme lançado em 2009 e um clássico de 1948? Qual a justificativa para

as atuais leis de direitos autorais?

Preço justo tem de ser um conceito flexível. Os estúdios de cinema, que

não querem ter o mesmo destino das gravadoras, sabem disso. O mesmo DVD

que custa R$ 80,00 para o dono da locadora sai por R$ 9,99 em

supermercados da periferia paulistana.

Uma alternativa interessante é o produtor de conteúdo (ou a operadora)

subsidiar a sua conexão digital. É uma evolução do modelo do celular.

Você assina um contrato de fidelidade dois anos com pagamentos mensais

mínimos (ou não). O contratado subsidia sua conexão e seu aparelho

TV-PC, que saem na faixa ou quase. E ganha percentuais de todas as

transações financeiras virtuais que você fizer.

Quem não arriscar, morre. Mas arriscar pode sabotar toda a cadeia de

negócios que hoje sustentam grandes empresas. Mesmo que o lucro esteja

minguando, é um salto no escuro. Por isso, a maioria dos novos modelos

bem-sucedidos virão de empresas pequenas e iniciativas independentes.

Temos menos a perder.

Cada pessoa, cada empresa que produz conteúdo - o que hoje vai da

blogueira de 12 anos ao artista a corporações - vai lidar de maneiras

diferentes com este desafio.

Sobreviverá quem experimentar mais. Quem tem taxa de mutação rápida,

como os vírus. Não haverá modelo hegemônico. O futuro será múltiplo. A

única garantia é a de fortes emoções.

 

(O texto acima foi encomenda rápida dos amigos da Folha: topas escrever um box sobre o estado atual da TV paga e seu futuro? Sim, claro. Fiz uma experiência: escrevi tudo offline, sem pesquisar nada. Dia seguinte, mandei isso aí. Uma versão editada saiu sexta passada na Ilustrada, 7/8/2009. É assunto para um livro, vários, mas como introdução até que ficou decente, e foi legal escrever sem usar a internet. Segundo a lenda, Paulo Francis escrevia direto no telex, de cabeça. É isso aí: Old-school journalism!)

Explicações

Sobre o modelo colaborativo de MOVIE e BIS: sim, temos todo o interesse de republicar posts originalmente publicados em outros lugares, em qualquer época, por qualquer um. E já andamos fazendo isso. Se você tem um texto bacana sobre música ou cinema, queremos ver e queremos que muita gente veja. Sempre serão publicados com crédito e link para o autor e seu blog ou site.

Automaticamente, seu texto passa a ter uma licença Creative Commons. A partir do momento em que ele seja publicado em MOVIE ou BIS, qualquer um poderá publicar seu texto em qualquer lugar sem te pedir autorização, contanto que dê crédito e link para você. Texto ou foto ou ilustra ou vídeo ou o que o for. 

Claro? Beleza.

Sobre o incrível mundo dos comentários em blog: sou analógico, nasci em 1965. E acostumado em termos jornalísticos a um monólogo, eu comigo. Passei anos ouvindo em jornal que quem escrevia para a redação era retardado, aposentado, gente que não tinha o que fazer etc. Nunca concordei. E não comparo 1988 com 2009 nem jornal com blog.

Mas amigo, tenha paciência comigo. Ou não tenha. De qualquer forma, não adianta cobrar participação intensa no diálogo, resposta a cada comentário. Até porque se comento quem me elogio, pareço puxa-saco. Se detono quem me detona, passo de mal educado, xingando os convidados na minha casa. Não estou a fim.

E no final, o blog é meu e a vida é minha, e curta, e priorizar é tudo.

Vamos fazer nossa revista de cinema MESMO?

Olá amigo cinéfilo,

pois então. Uns meses atrás convidei a turma para fazer uma revista de cinema. Porque, você sabe, é uma coisa sensacional de se fazer.

Claro que nos dias de hoje “revista” é uma coisa eletrônica, antes de mais nada, e impressa, talvez.

MOVIE começou bem. O site está evoluindo rápido, os bugs sendo resolvidos, já contamos com alguns colaboradores muito bons e muito frequentes. Falta você lá. O conteúdo é colaborativo e a licença, Creative Commons. O que significa que qualquer texto que esteja no site MOVIE está liberado para publicação em qualquer outro lugar, contanto que dado o crédito ao autor e ao site.

Acho que o site dá para sair de beta até o lançamento da MOVIE nº 1. Sim! Verdade! Estamos fazendo uma revista de cinema impressa, amigos. “Estamos” significa que você está incluído. Que procuramos pautas, idéias, bons textos, ótimas fotos e ilustrações. Nos próximos dias, as principais pautas da 1 estarão disponíveis no site MOVIE para debate e apreciação pela comunidade MOVIE.

A revista não é Creative Commons, embora a maioria dos textos da impressa eventualmente vá ser publicado no site. E as colaborações para a revista são pagas, no modelo habitual.

Este modelo misto é meio maluco e bem experimental, mas foi o formato mais interessante que encontramos até agora. E viabiliza o projeto. Porque, como se sabe, revista de cinema não dá dinheiro e site muito menos. Pra gente tá bom se a coisa toda se pagar e sobrar um pouquinho para a pipoca e o refri.

Para informação de todos, a data de fechamento da revista é dia 9 de setembro, para lançamento no dia 23. Hoje pela manhã tive a confirmação da venda de nossa primeira página de publicidade. Mais de um mês antes do fechamento. Bom sinal.

O editor é o talentoso Filipe Albuquerque, que muitos conhecem pelas pautas criativas e texto apurado na Rolling Stone. O time de colaboradores já inclui nomes célebres e muita gente nova e boa.

Tenho o prazer de informar a entrada para a equipe de Roberto Sadovski, que durante mais de uma década fez parte da equipe de SET, inclusive uma boa parte como diretor de redação. Como editor especial de MOVIE, Sadovski fará entrevistas, reportagens especiais, coberturas internacionais, e críticas, claro.

Roberto faz barulho por onde passa. Tem opiniões fortes, nenhuma papa na língua, fãs e detratores igualmente convictos. Conheço desde 1996, acho, quando ele e Rodrigo Salem fizeram uma visita à redação da revista Herói. Somos chapas desde então e unidos por uma obsessão, quadrinhos.

Sob seu comando, SET assumiu definitivamente a missão de revista para fãs de cinema pop. Já era o projeto editorial e comercial de SET quando um trio muito talentoso, Marcel Plasse, Alex Antunes e Michel Spitale, fundou a revista em 1987. Continuo sendo quando a editei em 1992. Mesma coisa depois, nas mãos de Edson Aran e de Isabela Boscov, com diferenças de ênfase em cada período.

SET continua - comprei a última ontem - com novo time e a mesma missão superpop: as principais matérias da edição tratam de filmes de terror e de pornochanchadas brasileiras. No novo expediente, um colega de outros carnavais, Robert Halfoun.

Vida longa à SET. Vida longa à Pipoca Moderna, de Marcel. À Sci-Fi News, do mestre Paulo Gustavo. Vida longa à PREVIEW, iniciativa de outro amigo e veterano de SET, Ricardo Matsumoto. E porque não, à Bravo e à Rolling Stone. E ao Omelete e o Cineclick. Vida longa a todas as revistas, a todos os sites e blogs e comunidades apaixonados por todos os cinemas.

Às vezes, para quem olha de fora, pode parecer que jornalistas de veículos concorrentes são inimigos. De vez em quando, verdade, criamos umas inimizades duradouras. Na maioria do tempo somos só colegas. Nos encontramos em cabines, em pré-estréias, em eventos. Concorrência existe. Questão de orgulho profissional. No caso de veículos independentes, de sobrevivência. Porque de fato nem sempre vai haver leitores, espaço, pageviews, verba publicitária para todos.

O que nos une é mais forte do que nos separa: paixão por jornalismo e por cinema.

MOVIE, site, revista e o que mais vier, é para quem ama e quem odeia cinema pop; para quem ama e odeia cinema brasileiro; para quem ama cinema como criação, para quem acredita no cinema glamour e quem bota fé no cinema verdade; e vice versa. É, portanto, um espaço de liberdade e de colaboração; de debate acalorado e declarações de amor incondicional.

Eu tenho meus diretores, atores, roteiristas, fotógrafos, compositores, animadores, cinematografias favoritos (vive mudando). Filipe tem sua seleção. Sadovski outra. Todas bem diferentes. Dos três, sou de longe o mais velho e, desconfio, o mais fã da Hollywood clássica e o menos paciente com a Hollywood do Século 21. Mas cada vez que as luzes se apagam, sinto a presença daquela famosa “magia do cinema”. Que outra expressão humana tem esta força hipnótica, esta sedução, este glamour?

Você certamente tem a sua lista e as suas razões. Compartilhe. Palpite. Discorde. Divirta-se. Deste papo se faz nosso site, deste papo se fará nossa revista. Vai lá: movie.tv.br. Estamos entre amigos.

Nós x eles

Um avião caiu. 153 comorenses morreram. Era da companhia aérea estatal iemenita.

Comores? Iêmen? Saiu uma notinha pequena com foto no primeiro dia, sem foto no segundo, nada no terceiro.

Caiu um avião da Air France cheio de brasileiros. 228 pessoas morreram. Foi manchete de todos os portais e jornais e revistas e tevê uma semana seguida. Na segunda semana o espaço despencou. Um mês depois, ainda rende algum assunto.

99,9% dos brasileiros não conheciam ninguém que morreu no vôo da Air France. A diferença para o outro vôo é 0,01%.

Agora me explique.

Vamos fazer nossa rede social de música?

Recebo todo dia convites para entrar nesta ou aquela rede social. Agora é o Facebook. Os amigos vendem o peixe: é divertido, tá todo mundo lá etc.

Sei. O Facebook é 99% igual ao Orkut. A única diferença que importa é que as turbas ainda não invadiram o Facebook. Se e quando chegarem, minha turma já vai ter mudado para outra alternativa, mais moderninha  e espaçosa e 99% igual às redes sociais anteriores.

Talvez não invadam. Há evidências de que quando uma rede social chega a um certo patamar de dominância em um país, é muito difícil desbancar. Na Coréia é o CyWorld, no Japão o Mixi, nos EUA e maior parte da América Latina Facebook.

No Brasil, claro, é o Orkut, 79,1% de penetração entre os internautas segundo o último relatório ComScore que eu vi. Depois vem Sonico, Fotolog, Multiply, Hi5 etc. Até chegar no Facebook, na época com 1,4% de penetração.  Deve ter subido de lá para cá. Digamos que dobrou ou triplicou para, o quê, 5%?

Estou no Orkut, que nunca usei de fato, por razões profissionais. E no Linkedin, que uso bastante, idem. Não me aguardem no Facebook. Prefiro, em vez de entrar em outra rede, juntar uma turma e fazermos a nossa.

Acredito muito em dois tipos de redes: a redona que todo mundo tem (como todo mundo usa Google, MSN, YouTube, email etc.) e as redes sociais segmentadas, orgânicas, jeitosinhas. Gosto muito do modelo do Ning, flexível e grátis ou quase.

Quem se meter em usar rede social para marketing, para ganhar dinheiro, para capturar corações e mentes, tem que ter em mente que uma coisa é a redona, outra coisa são as redinhas. A Fox, quando comprou o MySpace, achou que estava comprando uma redona. Esta comprando a maior redinha. Só que ela custa meio bilhão de dólares por ano de custo fixo. Não dá.

Essa é uma das razões porque o MySpace Brasil foi fechado repentinamente essa semana, num movimento em que a empresa cortou 300 dos seus 450 funcionários da área internacional. É de morrer de dó. O MySpace Brasil era enxuto, estava no azul, e tinha 1,11 milhão de unique visitors, segundo esta análise educativa de Leena Rao no Tech Crunch.

Era o único país em que o MySpace crescia rapidamente.  E diferente do Orkut, que ainda não tem um modelo de negócio que traga dinheiro para o Google nem para potenciais cyber-empreendedores (como o Facebook já tem), o MySpace tem um modelinho muito claro de como faturar.

Na prática, a saída do MySpace Brasil de cena abre uma oportunidade muito grande para comunidades virtuais centradas na música. Quem vai ocupar este espaço? Provavelmente não uma, mas várias redinhas. Afinal, uma rede centrada em música clássica deveria ter linguagem, interface, layout e administração diferente de uma centrada em, digamos, metal satânico escandinavo. Certo?

Lá no Bis, nossa experiência com um site de música colaborativo, andamos dando alguns passos nesta direção. Agora talvez seja a hora de dar um salto. O Bis é sobre música nova de todos os tempos, como costumo dizer. Dá uma redinha legal, focada no moderno e no eterno. Tá cheio de software legal por aí para fazer rede social, basta escolher o que vai funcionar melhor para a gente.

Então? Vamos fazer?

Um plano para a internet, 1999

Acabei de achar nos meus arquivos. É um email de dez anos atrás para meus colegas de trabalho da época, na Conrad. Megalô, como convinha para um cara que estava surfando na onda Pokémon. Vale pelo registro e pela sessão nostalgia. Destaque para os incríveis três milhões de usuários brasileiros de internet.

O namorico com a Internet vinha de 1996, acho. Tivemos umas reuniões com a turma do Zaz, depois Terra. Paulo Puterman, Bia Abramo, quem mais? Comunidade Z ou X? Depois nos afundamos em experimentações bestas de navegação e a coisa empacou.

Esse plano abaixo - que eu depois desenvolvi mais e defendi com unhas e dentes e não emplaquei - podia ter dado em nada ou em tudo.

Decidimos fazer uma coisa muito  mais importante: começar uma editora de livros. Se arrependimento matasse…

 

 

UM COMEÇO DE PLANO PARA INTERNET

 

Objetivo

Ganhar muito dinheiro

 

Como

Com Internet

 

Oportunidade

Modificação radical da utilização da Internet no Brasil devido à entrada de grandes players mundiais no mercado nacional (Microsoft Network, America Online, Yahoo)

 

O que está acontecendo

A Internet cresce mesmo por aqui. Estima-se entre 2,5 a 3,3 milhões de usuários no Brasil em abril de 99, com aumento sério em publicidade e comércio eletrônico. A tendência é só aumentar ano a ano.

Mas a chave é entrada dos gringos capitalizados investindo muita grana e consequente reação (e/ou associação/compra) dos provedores/empresas locais geram hipervalorização do conteúdo desproporcional ao real crescimento da internet no país.

É possível que em dois ou três anos o território já esteja bem mapeado e só grandes empresas com grandes marcas consigam ter impacto na Internet; ninguém sabe; pode ser que continue como hoje, em que dois caras numa garagem continuam sendo perigosos para empresas grandes; o fato é que no momento caras pequenos, rápidos e espertos podem e estão fazendo um estrago do cacete.

 

O que fazer

Criar o site/comunidade virtual líder para o heavy user, o usuário hardcore/formador de opinião de Internet no Brasil ; o consumidor chave para empresas gringas e locais

 

Quem é esse usuário

Classe A, 15 a 25 anos, predominantemente masculina; outros alvos são secundários; definição etária é fraca porque existem heavy users tanto de 45 como de 12 anos.

 

Porque a Conrad é capaz fazer isso

É nossa vocação/tesão natural mexer com informação e entretenimento para o público jovem/teen/infantil

 

Porque devemos fazer isso

Pela grana, diversão e satisfação

 

Como fazer

O modelo da Miningco.com que está junto com este texto fornece algumas pistas: um portal/mecanismo de busca operado por “Guias”, na verdade experts em determinados assuntos, free-lancers, com fixo baixíssimo e remuneração variável, movidos a paixão por seu assunto e por dinheiro; esses guias garimpam o tempo todo a Internet, tem opinião, coordenam chats e ICQs; mais detalhes na matéria.

A essa idéia somo a de Portal Vertical. Em resumo, o UOL (portal, além de provedor) é como se fosse a Globo: tenta ser a TV de todos, tudo para todas as pessoas. Um portal vertical fala com um segmento específico (mulheres, gays, caras que curtem esportes ou ficção-científica etc.). Exemplo relevante: )theden.com(

O modelo da Miningco.com é interessante pra gente porque:

a) aproveita muito bem o conceito sobre o qual desenvolvemos o site da Nintendo World, a pesquisa Geração Y da Saatchi & Saatchi, segundo a qual para atingir este segmento vc tem que construir as marcas não “para” eles, mas “com” eles;

b) é extremamente flexível e tem “scalability”: dá pra começar com gastando pouco com uns poucos guias falando de uns poucos assuntos-chave e ir crescendo conforme a grana e as oportunidades vão entrando;

c) vive de nerds de todos os tipos, e nerds são especialidade da Conrad. Assim que decidirmos colocar mais um assunto no nosso site - por exemplo, basquete/NBA - basta buscar e selecionar na própria Internet um superfanático do assunto e botar o cara para trabalhar.

 

Como começar

Dos assuntos-chave para começar a brincadeira, me lembro de:

games, entretenimento (TV/cinema/vídeo/DVD etc.), esportes, nerdorama tipo herói, sexo, comportamento, novidades de internet/informática/tecnologia (principalmente freewares e sharewares), noite/programas, idéias-livros, educação (vestibular-faculdade-mercado de trabalho).

Existem outros com certeza.  Evidentemente muitos desses assuntos podem ser subdividos com o tempo (só TV dá um guia para anime, outro para seriados, outro para Arquivo X, outro para novelas e o caceta).

Pra simplificar imagino começar fazendo um site de games do caralho com “Guias” para Playstation, Nintendo, Sega (Dreamcast/Saturn) e Computer Games (PC & Mac), com os Guias coordenados por um Editor nosso.

Recomendação do Junior: Ana Paula da Super Game Power, editora-assistente da revista, manja de web, tem o site gatas.com.

 

E a grana?

Vem de dois lugares de cara: publicidade e comércio eletrônico. Mais detalhes na reportagem sobre a Miningco.com.

Mas a grana grossa vem de fazer a coisa acontecer mesmo e aí tirar uma grana de quem quiser ter nosso website dentro de seu provedor - seja UOL, Zaz, America Online ou o que for.

Eventualmente podemos vender parte ou todo pra alguém. Se o StarMedia comprou no mesmo mês o Ziq e o Cadê, porque não?

(Comunicação interna da Conrad Editora, 1999)


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