Now I’m here, now I’m there

O R7 estreou ontem.

Meu blog agora está abrigado por lá:

http://blogs.r7.com/andre-forastieri/

Assim, este endereço vai simplesmente redirecionar para lá.

Onde você pode esperar mais do mesmo, e algumas novidades. Convido e aguardo as cutucadas sem dó e sugestões inesperadas que fazem o blog ser tão divertido de fazer.

Você também pode trombar comigo em dois outros lugares:

 1 - Twitter (http://twitter.com/forastieri)

2 - Link da sua comunidade. (http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpn&cmm=93601034)

Estou aprendendo, estou aprendendo…

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Surpresa!

A partir do próximo domingo, este blog passa a ser encontrado dentro do R7, o novo portal da Record.

Bjs

André

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It’s my life

This ain’t a song for the broken-hearted

No silent prayer for the faith-departed

I ain’t gonna be just a face in the crowd

You’re gonna hear my voice

When I shout it out loud

 

[Chorus:]

It’s my life

It’s now or never

I ain’t gonna live forever

I just want to live while I’m alive

(It’s my life)

My heart is like an open highway

Like Frankie said

I did it my way

I just wanna live while I’m alive

It’s my life

 

This is for the ones who stood their ground

For Tommy and Gina who never backed down

Tomorrow’s getting harder make no mistake

Luck ain’t even lucky

Got to make your own breaks

 

[Chorus:]

It’s my life

And it’s now or never

I ain’t gonna live forever

I just want to live while I’m alive

(It’s my life)

My heart is like an open highway

Like Frankie said

I did it my way

I just want to live while I’m alive

‘Cause it’s my life

 

Better stand tall when they’re calling you out

Don’t bend, don’t break, baby, don’t back down

 

[Chorus:]

It’s my life

And it’s now or never

‘Cause I ain’t gonna live forever

I just want to live while I’m alive

(It’s my life)

My heart is like an open highway

Like Frankie said

I did it my way

I just want to live while I’m alive

 

[Chorus:]

It’s my life

And it’s now or never

‘Cause I ain’t gonna live forever

I just want to live while I’m alive

(It’s my life)

My heart is like an open highway

Like Frankie said

I did it my way

I just want to live while I’m alive

‘Cause it’s my life!

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Meu texto sobre Distrito 9 foi para a Folha

Fiz propaganda de Distrito 9 outro dia, aqui.

Mas papeando com o povo da Ilustrada, surgiu a chance de meu texto ir da MOVIE, onde sairia, para a Folha.

Não é que meu texto é assim uma obra-prima. É bem menor que o filme, bacanésimo, merece. Mas não resisti e agradeço à turma da Ilustrada a oportunidade.

Especialmente, de sair ao lado de uma entrevista com o diretor e um comentário de um grande mestre do jornalismo cinematográfico, que tenho o prazer de chamar de amigo, Inácio Araújo.

Fora que é uma propagandinha a mais pra MOVIE, que é revista independente e ganha muito de pegar uma caroninha na Folha.

Aproveitando, agradeço as muitas demonstrações de confiança sobre as boas intenções da turma que faz a MOVIE.

Que, espero, inclua você.

Valeu!

É esse domingo.

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Sobre coincidência, concorrência e confiança

Me perguntam sobre a capa de MOVIE nº 1, Brad Pitt e Bastardos Inglórios, e a de SET, mesmo tema.

Não, não é coincidência.

A capa a MOVIE foi decidida 45 dias atrás. E informada neste blog faz uns dez dias, numa promoçãozinha.

A capa de SET, soubemos faz dois dias. Foi uma surpresa muito, muito desagradável.

Agora, a surpresa maior: metade da matéria de capa de MOVIE foi escrita por… Roberto Sadovski.

A pauta foi combinada no período antes dele voltar à SET. Em que atuou como editor especial da MOVIE. Inclusive, nos representando na San Diego Comic Con. Recebendo até um adiantamento em dólar para poder viajar. Lá, fez diversas entrevistas com diretores e artistas para MOVIE. Que até hoje, quase dois meses depois, não entregou e não entregará.

Quando Roberto foi convocado para esta mais recente encarnação da SET, conversamos. Firmamos o compromisso que como a capa de MOVIE era Pitt / Bastardos Inglórios, a capa de SET seria Crespúsculo: Lua Nova ou outra coisa qualquer, menos Brad Pitt. 

Foi combinado assim. Porque era a coisa certa a fazer eticamente. Porque era melhor do ponto de vista comercial. Porque como editor especial de MOVIE, Sadovski tinha informação reservada a respeito do conteúdo editorial e plano de lançamento da revista.

Confiei que assim seria feito. Afinal, nos conhecemos faz catorze anos. E quando Sadovski foi demitido da SET, fui o único a lhe dar um voto de confiança.

O compromisso não foi mantido.

Por um lado, é ruim.

Por outro lado, é ótimo para o leitor e para o mercado anunciante.

Porque as revistas só são similares no tema da capa. No restante, são muito diferentes. A similaridade vai forçar a comparação.

Comparem MOVIE e SET. Comparem as revistas, comparem os sites, comparem as chamadas de capa, comparem o acabamento, o papel, o design, os colaboradores e as atitudes. Acho que você vai concluir que MOVIE é tão concorrente de SET quanto da Sci-Fi News, da Revista de Cinema, da Bravo, da Cult, da Contigo e da Rolling Stone. São coisas muito, muito diversas.

No final, o que importa é como você se sente sobre as revistas.

E quanto você sente que pode confiar nas pessoas que as fazem.

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A capa da revista MOVIE nº1 está aqui. E um texto meu sobre Tarantino de 14 anos atrás, também

Está entrando em gráfica o número um da MOVIE.

Assim que eu pegar ela impressa nas mãos, só vou ver os defeitos. E pensar que a próxima é que vai ficar perfeita. Revista é assim mesmo.

Mas nesse momento, estamos aqui de pais orgulhosos. A capa está aqui.

Como a pauta de capa é sobre Brad Pitt, Quentin Tarantino e Bastardos Inglórios, lembrei de um texto que fiz sobre Tarantino na época de Pulp Fiction, para a revista General. Eu não tinha  mais a revista (e olha que fui um dos fundadores!), mas o André Lima, amigaço, fez o favor de digitar. Muito obrigado.

Até que ainda dá pra ler. Se bem que hoje eu sei que Tarantino, na verdade, era bem mais informado sobre cinema europeu, antigo etc. do que eu imaginava quando escrevi isso. Mas como Bastardos Inglórios é o maior sucesso de Tarantino desde Pulp Fiction, achei que valia a revisitada.

Mais novidades virão sobre a revista a cada dia no site. 

 

TARANTISMO

Ele é nerd. Ele causa repulsa em estômagos sensíveis. Ele é cool

 

Sejamos fragmentários e circulares, como recomendaria nossa capa deste mês.

Quentin Tarantino é o primeiro diretor de cinema que é um astro de rock n’ roll, e também o primeiro cineasta de sucesso formado nas videolocadoras.

Convém que ele seja nerd – esta é a década deles, afinal – e surpreende que um nerd seja eleito a epítome do cool. Bill Gates, o outro nerd mais influente do mundo, pode ser admirado e/ou odiado, mas ninguém com um pingo de sangue nas veias alimentaria fantasias do tipo “quando crescer, quero ser como o Bill Gates”.

Tarantino não. Tarantino é nerd, é feio, é desengonçado – e apesar de tudo ganha grana, ganha “as minas”, faz o que quer, e o que quer fazer é considerado cool pelos moderninhos e faz um sucesso do cacete entre a “plebe” ( Pulp Fiction não só ganhou a Palma de Ouro; também rendeu US$ 92 milhões, apenas no mercado americano – um dos filmes mais lucrativos de 95 ).

Mais. Quentin Tarantino, que se veste como o zé maria que é, influencia o mundinho fashion. Suas trilhas sonoras têm coisas fora-de-moda como surf music e Neil Diamond, mas estão nas casas de todos os descolados. O diretor que aprendeu seu ofício assistindo Karen Black em filmes B tem os maiores astros do mundo à sua disposição. O aluno vagabundo que odiava estudar é considerado um gênio. O especialista em cultura inútil lança tendências comportamentais e slogans grudentos.

E faz tudo isso de maneira cool, desencanada, despretensiosa.

Nada a ver, preste atenção, com “Geração X”, o rótulo marketeiro safado para uma suposta juventude americana largada e sem ambição nem missão – até porque o homem trabalha pacas.

Faça as contas. Quentin Tarantino tem quatro roteiros já filmados: Cães de Aluguel, Pulp Fiction ( esses dois dirigidos por ele ), Amor à Queima-Roupa e Assassinos Por Natureza. Deu um tratinho em dois roteiros totalmente mainstream, Maré Vermelha e a comédia It’s Pat. Tem um outro roteiro original sendo filmado por um discípulo, Robert Rodriguez.

Para o próximo ano, tem dois projetos engatilhados, ambos revisões de dois super-espiões sessentistas: Modesty Blaise ( o livro que Travolta está lendo quando é fuzilado no banheiro; a idéia é por Uma Thurman no papel que foi de Monica Vitti ) e Napoleon Solo, O Homem da U.N.C.L.E.

Nas horas vagas, faz qualquer merda que aparece. Produz ou atua nos filmes dos amigos. Para completar ganhou seu selo próprio da produtora Miramax, só para lançar filmes obscuros. Não “de arte”, claro. O negócio do selo Rolling Thunder é lançar nos EUA filmes comerciais de outros países.

Detalhe: Cães de Aluguel estreou em 1992. Tarantino fez isso tudo em três anos.

Perguntei para todo mundo aqui na redação, um bando de fanáticos por cinema, o que cada um acha de Tarantino. Todo mundo acha o cara legal e ninguém sabe explicar exatamente porquê. “Como porquê? O cara é legal e pronto. Não vale a pena gastar neurônio com os porquês”.

Aliás, nunca vi uma boa explicação, em lugar nenhum, que explique a glória unânime de Tarantino. Público, crítica, executivos hollywoodianos, cineastas independentes, homens, mulheres, intelectuais, molecada rocker – o planeta inteiro adora o cara.

Talvez seja porque Quentin Tarantino não conhece “O Cinema”, a “sétima arte”, conforme ensinada por professores intelectuais na faculdade. Talvez por isso ele não faça “Cinema”, e sim filmes, filminhos, uns filmes legais aí, meu, com uns cara fodões e um monte de tiro e porrada.

E por isso que não dá pra explicar porque os filmes do Tarantino são legais. É auto-explicatório, direto e reto, profundo como o melhor pop de três minutos. Também por isso é que todas as tentativas de explicar os filmes e a influência cultura de Quentin Tarantino pelo ângulo “sétima arte” dão com os burros n’água.

A tão analisada “estética circular” de Pulp Fiction, o intrincado relacionamento entre os personagens de seus vários filmes, só são novidade para acadêmicos. Para gente criada com gibi, seriado, folhetim, livros de detetive e ficção científica ( essas e outras “artes populares”, todas “coisas de nerd” ) é absolutamente normal. Cadê a novidade? Qual o segredo de Tostines?

Talvez o “segredo” de Tarantino seja justamente seu tipo muito particular de despretensão. A despretensão de quem está se divertindo pacas com o que faz. Que, em ultimíssima análise, se resume a encher as locadoras de filminhos legais.

Muito rock n’ roll. E muito cool.

ANDRÉ FORASTIERI

(General, 1995)

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Até já

Amigos, saio do ar uns dias. 

Por boas razões.

Explico na volta!

Abs & bjs,

André

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Patrick Swayze: nada é dourado pra sempre

Patrick Swayze era um texano de 57 anos, ex-alcoólatra, bailarino clássico, patinador no gelo, ginasta, ator e cantor. Ele estava com a mesma mulher desde 1970 e gostava de pilotar aviões e criar cavalos árabes. Morreu ontem de câncer de pâncreas, um adeus dolorido.

Patrick será sempre lembrado por seus rodopios em Dirty Dancing e pelo fantasma apaixonado em Ghost. Mas não por mim.

Eu vou lembrar de Patrick Swayze de cabelo oxigenado como o surfista assaltante de Point Break, se entregando à onda perfeita. Como  Jed, líder dos Wolverines, a tropa de adolescentes que dá trabalho para os invasores soviéticos em Red Dawn.

E inevitavelmente como Darrel, irmão de Ponyboy e Soda, o irmão mais velho que todo garoto queria ter.

Ponyboy era C. Thomas Howell. Soda era Rob Lowe. Eles faziam parte de uma gangue de moleques duros e durões em Tulsa, Oklahoma, no início dos anos 60. Da turma também faziam parte Two-Bit (Emilio Estevez), Johnny (Ralph Macchio), Dallas (Matt Dillon) e Steve (Tom Cruise). 

Eles eram, são, The Outsiders, o lado colorido de um épico teen filmado em 1983 por Francis Ford Coppola. O lado B, Rumblefish, veio logo depois e colocou mais dois garotos sob o holofote: Nicolas Cage e Mickey Rourke.

Eu tinha dezoito anos quando estes filmes apareceram no Brasil, sob os nomes Vidas Sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta. Eram herdeiros mais que dignos de Esplendor na Relva, Buster e Billie e tantos outros dramas hormonais favoritos das sessões coruja da minha adolescência. 

Mas esses caras eram da minha idade. Eram da minha geração ou pareciam ser. Isso fez toda diferença.

Se você assistir agora pela primeira vez e achar que a história é coisa de adolescente, saiba que é mesmo. O filme foi baseado em um livro escrito por Susan Hinton quando ela tinha catorze anos e publicado quando ela tinha dezesseis.

Eu queria que todas as pessoas de dezesseis anos do mundo assistissem esses dois filmes.

Vi e revi The Outsiders e Rumblefish muitas vezes. Os dois filmes nunca foram unanimidade nem fizeram grande sucesso, mas foram muito falados e cultuados na época. Depois cresci e esqueci deles. Não assisto faz mais de vinte anos.  Mas se Darrel morreu, está na hora de voltar a reencontrar a velha gangue. 

Na época, Ponyboy não entendia seu poema predileto, Nothing Gold Can Stay, de Robert Frost. Nem eu.

Hoje estou mais perto.

 

Nothing Gold Can Stay

Por Robert Frost

 

Nature’s first green is gold

Her hardest hue to hold

Her early leaf’s a flower;

But only so an hour.

Then leaf subsides to leaf.

So Eden sank to grief,

So dawn goes down to day.

Nothing gold can stay.

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11 de setembro é um lindo dia com U2

Não está na moda gostar de U2. É uma banda muito grande, muito rica, muito velha e muito família. Bono anda por aí fazendo lobby com George Bush, chavecando o Papa, trocando figurinhas em Davos. Nada a ver com o verdadeiro espírito do rock’n'roll - juventude, rebeldia, tesão.

Mas eu gosto. Desde a primeira vez que vi o primeiro videoclip, 1981? Qual?

Eu gosto de muita coisa que não está na moda. Eu acho o U2 cool. Não tem, nunca teve nada parecido. É uma multinacional e uma religião em forma de banda. É fascinante acompanhar a trajetória de Bono. Ele passeia entre o hipnotizante e intragável. Como um verdadeiro astro do rock deve ser.

Agora, não é só por razões sociológicas (ou, diriam alguns amigos, arqueológicas) que gosto do U2. Eu gosto de ouvir U2. O U2 que raramente toca nas FMs de classic rock. Meu disco favorito é Zooropa, sobre o qual escrevi para uma capa da Bizz.

Mas estes dias reencontrei All That You Can’t Leave Behind, de 2000. É um lindo álbum. Começa com Beautiful Day - que eu poderia ouvir todo dia - e segue com You Got Stuck In A Moment, Walk On e Elevation. Quantas bandas não fazem quatro músicas tão boas em suas carreiras inteiras?

Quando os aviões caíram sobre a América, o país inteiro caiu em depressão. Além de qualquer consideração política, havia o sacrifício de milhares de inocentes e a perda de um grande símbolo do país.

E foi então que Walk On - siga em frente - consolou muitos americanos. E que Beautiful Day se converteu em um raiozinho de esperança.

O mais assombroso, fantasmagórico, é que este disco também continha uma canção chamada New York. Mas esta não entrou para a história. Não era uma carta de amor para a cidade que nunca dorme. Era sobre a vertigem e a voracidade que a capital do capitalismo incorpora e simboliza, para o bem e o mal.

É fácil ser cínico. Eu prefiro ser cético e otimista. Mas mesmo ceticismo tem hora, e quase nunca é na mesma hora que você ouve U2.

 

New York 

 

In New York freedom looks like too many choices

In New York I found a friend to drown out the other voices

Voices on the cell phone

Voices from home

Voices of the hard sell

Voices down the stairwell

In New York, just got a place in New York

 

In New York summers get hot, well into the hundreds

You can’t walk around the block without a change of clothing

Hot as a hairdryer in your face

Hot as a handbag and a can of mace

In New York, I just got a place in New York

New York, New York

 

In New York you can forget, forget how to sit still

Tell yourself you will stay in

But it’s down to Alphabet

 

New York, New York, New York

New York, New York, New York

 

The Irish have been coming here for years

Feel like they own the place

They got the airport, city hall, asphalt, dance floor, they even got the police

 

Irish, Italians, Jews and Hispanics

Religious nuts, political fanatics in the stew,

Living happily not like me and you

That’s where I lost you… New York

 

New York, New York, New York

New York, New York, New York

New York

 

In New York I lost it all to you and your vices

Still I’m staying on to figure out my mid life crisis

I hit an iceberg in my life

You know I’m still afloat

You lose your balance, lose your wife

In the queue for the lifeboat

 

You got to put the women and children first

But you’ve got an unquenchable thirst for New York

 

New York, New York

New York, New York

 

In the stillness of the evening

When the sun has had its day

I heard your voice a-whispering

Come away now

 

New, New York

New, New York

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O cara mais cool do mundo (do cinema) é…

… Clint Eastwood.

Todo mundo que mandou sua sugestão leva a MOVIE nº1 de presente. Valeu!

Mas o Vinícius Vieira matou a charada, então leva além da 1, a 2. Que já estamos começando a pautar.

Agora:

Não é porque Clint seja um ator talentoso.

Não porque seja um diretor muito convincente ou um produtor muito eficiente.

Não porque tenha construído uma trajetória independente dentro de um grande estúdio.

Não porque tenha opiniões contra a corrente e nenhum medo de defendê-las.

Não porque frequentemente faça ótimas trilhas para seus filmes.

Não porque tenha excelente gosto musical - para sua idade.

Não porque, superfamoso, se negou a ser uma “celebridade.”

Não porque tenha vários filhos com várias mulheres e nenhum nunca tenha dito nada de negativo sobre o pai.

Não porque mora faz quarenta anos em Carmel, uma cidadezinha agradável entre Los Angeles e San Francisco, e não em Beverly Hills.

Não porque tenha sido prefeito nessa cidade.

Nem porque tenha fundado um restaurante lá chamado Hog’s Breath, Bafo de Porco.

Onde, numa tarde de agosto de 1992, minha namorada e eu detonamos um monte de iguarias mexicanas regadas a Cuervos e Coronas. Uns dias depois de eu comemorar meus 27 anos assistindo, no dia da estréia, em San Francisco, Os Imperdoáveis. It’s a wonderful life, yeah.

Clint Eastwood é o cara mais cool do cinema por tudo isso junto.

Marlon Brando atuou melhor, Billy Wilder dirigiu melhor, John Wayne foi mais popular, Steven Spielberg ganha mais dinheiro, Woody Allen escreve melhor, Fred Astaire foi um marido melhor etc.

Mas ninguém foi tão bem em tantas frentes diferentes. Pensando com a própria cabeça e correndo os próprios riscos.

Clint é mais que cool. É um exemplo. Porque é um mestre que não parou de aprender. Envelheceu como whisky - 80 anos dia 30 de maio de 2010.

A prova são os filmes que fez no Século 21, mais ambiciosos que os da década de 90, que eram um passo a frente dos seus filmes dos 80 - e assim em diante, para trás, desde sua primeira ponta em “A Vingança do Monstro”.

Você assistiu? Eu não. Sei que é uma porcaria de filme. Mas para quem cresceu na depressão, trabalhou de frentista, bombeiro e pianista de boteco e por pouco escapou da Guerra da Coréia, ser coadjuvante da Criatura da Lagoa Negra já estava bom demais. Que dizer virar um ícone.

Clint também continua aprendendo a viver. Esse é o assunto de sua entrevista na MOVIE nº1. Que tinha que estar lá. Porque a primeira edição de uma revista é sua estréia.

E não tem ninguém que eu queria mais no tapete vermelho do que Clint Eastwood.

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